29 abril, 2007

Sócrates e o Tribunal de Contas

Passada que foi a tempestade em torno da Universidade Independente onde foi pública, visível e notória a tensão, a irritação, o agastamento e o incómodo de José Sócrates a propósito das suas habilitações (ainda não cabalmente esclarecidas, assim como o modus operandi para as obter, assim como o papel das diversas figuras no processo), eis que o querido primeiro-ministro regressa à ribalta em todo o seu esplender. Sorriso Pepsodent e o mesmo estilo de cara composta para a ocasião x. A velhacaria, a mentira, a distorção continuam intactas!
A propósito da questão das nomeações levantada pelo Tibunal de Contas, diz candidamente Sócrates: “Fico satisfeito por o Tribunal de Contas reconhecer que apenas 53 dessas 148 nomeações foram feitas com a minha assinatura.". Ora, o Tribunal de Contas não tece qualquer tipo de comentário, nem correcção aos números inicialmente avançados na revisão do relatório que incendiou a polémica. Mais uma vez o nosso querido primeiro não perde o hábito de MENTIR.
Mas o desplante não se fica por aqui. Dá-se ao cuidado de dizer que o Tribunal de Contas "reconheceu que, seja quem for que tenha cometido o erro, o relatório continha um erro”. Mas o tipo não se enxerga? A culpa é sempre dos outros? SERÁ QUE NÃO PERCEBE PORTUGUÊS????
O que o Tribunal de Contas disse foi que “se erro material houver ele só pode ser imputado aos serviços da actual presidência do Conselho de Ministros, autora da prova documental fornecida”.
MAIS UMA VEZ A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS. É a táctica habitual!
O erro, a existir, como se pode ver não está no relatório mas nos dados que lhe deram origem. E esses dados foram fornecidos pelos queridos homens do spin do nosso querido primeiro! Aliás como bem acentuou o Tribunal de Contas: o Governo forneceu novos documentos que “apresentam alterações profundas” em relação aos inicialmente entregues, mas sustenta que só poderá alterar as suas conclusões “sem a realização de uma nova auditoria”.
Será possível que os ditos comentadores e "fazedores de opinião" não vejam estas contradições gritantes? Não vejam que este nosso querido primeiro foge à verdade "como o Diabo da cruz"? É isto um exemplo de carácter, lisura, honestidade, sinceridade?
Enfim e para os mais distraídos fica uma breve resenha do relatório do Tribunal de Contas sobre os gastos dos gabinetes ministeriais:
Entre 2003 e 2005 (período que abrangia os Governos liderados por Durão Barroso, Santana Lopes e o actual), publicado a 30 de Março, o TC adiantava que José Sócrates tinha feito 148 nomeações para o seu gabinete.Nos três anos em causa, a auditoria criticava a “opacidade de múltiplos despachos de recrutamento do pessoal dos gabinetes”, a ausência de critério de selecção, a discricionariedade das remunerações e ainda transferências financeiras sem justificação para outras entidades.

27 abril, 2007

Jerome Murat

Um pouco de arte para descontrair. Vale a pena...

25 abril, 2007

A dupla perfeita

Este post não é meu - "gamei-o" do "Briteiros" com todo o gosto e creio que o legítimo autor não se importará. Além disso, subscrevo-o inteiramente. Nem mais!!!....
A dupla perfeita
O título deste post não é o título de um filme mas poderia ser. Série B e a preto e branco. Talvez fosse até mais apropriado chamar-lhe “Poder y dinero” (em espanhol técnico).José Sócrates acha que Pina Moura é um exemplo de ética e acha normal a sua nomeação para a TVI. Exemplo de ética? Talvez na concepção do nosso primeiro-ministro porque o seu percurso público encaixa muito dificilmente no meu conceito de ética. Normal? Talvez, mas mais uma vez ficou por perguntar o óbvio: se nem Pina Moura nem José Lemos têm no seu passado profissional o que quer que seja que os recomende para a administração de uma empresa de comunicação social, porque será que a Prisa os quer? Para decoração?Numa vida que me parece cada vez mais distante, conheci Pina Moura e José Lemos. O primeiro era na altura a grande figura da JCP e apontado como futuro sucessor de Cunhal, o segundo militava, discretamente, no MES (Movimento de Esquerda Socialista, para os mais jovens). Cruzamentos da vida levaram a que só muito raramente e na brevidade de um “como vai isso?” “tudo bem”, nos voltássemos a encontrar. Se de Lemos ainda vou tendo notícias por via de amigos comuns, de Pina Moura só sei o que vem nos jornais. Hoje, 25 de Abril, lembrei-me deles e do tempo em que defendiam a independência nacional, o comunismo, o socialismo, a igualdade, o combate ao grande capital e 33 anos parecem-me cada vez mais uma outra vida. Mudámos todos e, é claro, o Quim e o Zé não têm porque ser excepção. Há quem diga que, no fundo, as pessoas nunca mudam. Outros afirmam que podemos mudar. Não quero agora contribuir para essa discussão. Do que me lembro, Pina Moura não se interessava particularmente por dinheiro, interessava-se por poder. José Lemos já na altura achava muito mais interessante o dinheiro.Se é verdade que no fundamental as pessoas nunca mudam, a Prisa encontrou a dupla perfeita para gerir os seus negócios em Portugal. Com a vantagem de, agora, terem ambos o cartão do PS.

24 abril, 2007

23 abril, 2007

A verdade escondida

Um texto de grande qualidade sobre um tema que a todos afecta: a globalização. O assunto não tem sido puxado para as primeiras páginas dos jornais ditos de referência sabe-se lá porquê (imagina-se, apenas). Na realidade o texto de Baptista Bastos alerta para situações pouco claras e pouco dignificantes sobre esse fenómeno de globalização e governança global que mais não é que o neoliberalismo à escala mundial. E denuncia a verdadeira orientação política de muitos partidos ditos "socialistas" ou de "esquerda" que mais não são que pontas de lança das vontades de uma política global controlada por escassas centenas de famílias a nível mundial. Parece que "Bilderberg", "G-8", etc., ganham contornos cada vez mais claros e menos são "teorias da conspiração".
Para reportar Portugal neste contexto: Dados recentes do Eurost sobre o aumento das assimetrias sociais na União Europeia, revelam que, nos últimos dez anos, foi Portugal o “campeão” das desigualdades (ou não fôramos nós bons alunos!). De facto, segundo aquele organismo de estatística da UE, entre 1995 e 2005, as assimetrias diminuíram, no conjunto dos países, de 5,1 para 4,8, enquanto que, em Portugal, cresceram de 7,4 para 8,2.

Baptista Bastos
Os números do nosso desespero

http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=294494



Os números de que vamos dispondo são aterradores. O mundo vai de mal a péssimo, e o novo sistema capitalista, a globalização, tão exuberantemente aplaudido por alguns ventríloquos, acentua desigualdades e cria cada vez mais ressentimentos e rancores.
Não vale a pena ocultar os factos, ou estabelecer paralelismos comparativos com os "socialismos". Exactamente pelo facto de que nenhum "socialismo" ainda existiu. "Aproxima-se o apocalipse", comentou, há meses, com demonstrado exagero, o jornalista Jean-François Khan, director do semanário "Marianne". Mas algo de extremamente grave, isso sim, está mesmo para chegar.

21 abril, 2007

Mais um facto estranho

Esta política à portuguesa mais concretamente do Partido Socialista começa de facto a levantar imensas dúvidas sobre a validade de muitas das decisões tomadas. Como se não bastassem as referentes às áreas da saúde, justiça, educação, segurança social, cultura entre outras, surge agora esta referente à Ota: quem levanta o mínimo obstáculo é NO MÍNIMO afastado. Quem não diga ÁMEN a suas EXCELÊNCIAS está sujeito a ser "despachado" para outras bandas...
Isto é verdadeiramente mau prenúncio. Faz lembrar o tempo da "outra senhora" em que os estudantes que manifestassem simpatias anti-salazar eram "despachados" rapidamente para a tropa.
Mas no fim pergunta-se: que grandes interesses se escondem por detrás da OTA???

Ota: responsáveis por estudo substituídos
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=800251&div_id=291
2007/04/21 12:30

Relatório alerta para problemas do espaço aéreo. Governo muda equipa


O Governo vai susbtituir os principais responsáveis pelo estudo que alertou para os problemas do espaço aéreo na Ota, noticia o jornal Sol. Segundo o jornal, o executivo prepara-se para nomear novos dirigentes para a NAV (Navegação Aérea de Portugal, gestora do tráfego).

20 abril, 2007

E que dizer disto?

Do Diário de Notícias:
O "despacho" de João Cravinho para Londres está teimosamente ligado aos projectos de combate à corrupção que pretendia apresentar. Isto por muito que neguem os "big boss's" do grupo par(a)lamentar do PS e o próprio PS. O que é certo é que sob a capa de desculpas esfarrapadas se vão adiando ad aeternum leis eficazes de combate ao cancro chamado corrupção.
Só por curiosidade e para que conste (os números podem ser verificados):
- 40% dos autarcas que a tal são obrigados não entregaram as suas declarações de rendimentos, arriscando-se a perder os cargos que ocupam - veremos o que, de facto, lhes sucede...
- Ano após ano, os Tribunais de Contas e Constitucional referem irregularidades nas contas dos partidos (da última vez sucedeu com TODOS!) - nomeadamente no que toca a explicações acerca de receitas.
Enfim, com estas e outras talvez se perceba o "desinteresse" do PS por tais medidas. Tenham vergonha senhores ...

PS chumba combate ao enriquecimento ilícito
FRANCISCO ALMEIDA LEITE

O PS votou ontem contra um projecto do PSD para tipificar o crime de enriquecimento ilícito, muito voltado para os detentores de cargos públicos e políticos, não permitindo sequer que o texto fosse discutido na especialidade. "Quem não deve, não teme", afirmou António Filipe, do PCP, sugerindo esse caminho.Os socialistas recusaram a proposta (como já tinham recusado a do seu ex-deputado João Cravinho), apoiada por PCP, Bloco de Esquerda e Verdes (com a abstenção do CDS), com o argumento de que esta continha várias inconstitucionalidades. À cabeça, a da inversão do ónus da prova, que limitaria a presunção de inocência, consagrada na Constituição.Fernando Negrão, deputado do PSD e magistrado de carreira, classificou o projecto como uma novidade absoluta no ordenamento jurídico português, ao seguir o art. 20.º da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. "Quase todos conheceremos situações de pessoas que, de um momento para o outro e sem que para tal exista motivo visível, passam a ter um nível de vida muito superior ao produto da sua actividade profissional", justificou o antigo director da Polícia Judiciária.O PS, pela voz do vice-presidente da bancada Ricardo Rodrigues, atacou o projecto, considerando que não só era inconstitucional como o PSD pensava que tinha "descoberto a pólvora": "Ter dinheiro não é crime, o que é crime é ter dinheiro por meios ilícitos e o PSD está a partir da suspeição de que quem tem dinheiro em Portugal é criminoso".O PSD sustentou que o projecto não implicava a inversão do ónus da prova porque tipificava o enriquecimento ilícito como "crime de perigo abstracto", como já existe por exemplo para o combate à droga, lembrou Negrão, citando ainda vários acórdãos do Tribunal Constitucional. O PS não concordou com a ideia, considerando Ricardo Rodrigues que o que estava em causa era "a descoberta de um novo crime". Para o deputado socialista, a proposta "viola grosseiramente todos os preceitos constitucionais, porque pretende de forma ardilosa punir sem prova". E deu um exemplo: "O que significa indicar o património que seja desproporcional ao seu rendimento?". A resposta de Fernando Negrão não se fez esperar, explicando que a lei continha lacunas, como a de não conseguir tipificar criminalmente o nexo causal e temporal entre o desempenho de um cargo público ou político e um significativo aumento do nível de riqueza.O PSD optou por isolar a discussão desta medida emblemática de João Cravinho (ver caixa) do pacote anti-corrupção discutido no Parlamento a 22 de Fevereiro, procurando lucrar politicamente com o agendamento potestativo. Se o Governo primou pela ausência no debate, a oposição acabou por unir-se, com nuances, à volta do projecto: "O problema de poder pôr em causa a inversão do ónus da prova não é nada comparado com o cancro que mina a sociedade", defendeu Luís Fazenda, líder parlamentar do BE, sugerindo a discussão na especialidade.

Já "antiguita" mas ainda vai a tempo

Saído no Público de 17 deste mês de Abril o trabalho revela mais uma das muitas facetas ocultas que gira à volta do "caso Sócrates". A pouco e pouco os contornos do caso adensam-se e a trama torna-se mais complexa. Começa mesmo já a circular na blogosfera a hipótese da teia familiar. No entanto, e já agora, veja-se a proveniência de todos os envolvidos no caso - o eixo Cova da Beira-Covilhã. De uma ou outra forma todos estiveram com ele relacionados.

Empresa de António Morais investigada pela Judiciária há oito anos
17.04.2007, José António Cerejo

O antigo professor da Independente esteve envolvido num concurso público, na Covilhã, em relação ao qual há suspeitas de corrupção. O processo está no DIAP António José Morais declarou ao Tribunal Constitucional que é titular de um depósito no valor de um milhão e 250 mil euros. Na declaração de rendimentos que entregou em 2005, após tomar posse como presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial das Justiça (IGFPJ) - cargo para que foi nomeado através de um despacho assinado por Alberto Costa e José Sócrates -, Morais indicou também que tinha auferido 490 mil euros a título de "rendimento de trabalho dependente" em 2004. Nesse ano era professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Na categoria de rendimentos de capital ou outros provenientes da sua actividade empresarial não fez qualquer declaração. Aliás, a GEASM (sucessora ASM) teve nesse ano um valor de vendas total de 174 mil euros e um prejuízo declarado de 47 mil euros. Nesta empresa, Morais tornou-se sócio, em Janeiro de 2006, de Ernesto Moreira, um jurista que acabara de demitir do IGFPJ, antes de ele próprio ser demitido por Alberto Costa. a A empresa de António José Morais, professor de quatro das cinco disciplinas que Sócrates fez na Independente em 1996, está a ser investigada pela Polícia Judiciária desde 1999. O processo, que tem pelo menos um arguido e foi aberto para averiguar as suspeitas de favorecimento do grupo HLC no concurso para a construção do aterro sanitário da Cova da Beira, aguarda despacho no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa desde Outubro.
Lançado pela Associação de Municípios da Cova da Beira em Abril de 96, o concurso de concepção, construção e exploração do aterro da zona da Covilhã foi um dos primeiros no quadro do Plano Estratégico dos Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) - formalmente anunciado por José Sócrates, então secretário de Estado adjunto da ministra do Ambiente, em Setembro daquele ano. Sabendo-se que estava a arrancar um programa de 122 milhões de contos (mais de 610 milhões de euros) para acabar com as lixeiras em todo o país, o concurso da Cova da Beira foi particularmente renhido e deu origem a três reclamações. Rejeitados os argumentos dos reclamantes, a adjudicação foi feita por cerca de 2,5 milhões de contos (12,5 milhões de euros) a um consórcio liderado pelo grupo HLC, do empresário covilhanense Horácio Luís de Carvalho. Entre os membros do consórcio avultava a Conegil, uma empresa de construção criada por José Manuel Santos Silva, um outro empresário da Covilhã que então se associou ao grupo HLC.
Atendendo à sua importância, uma vez que era um dos primeiros a avançar no âmbito do PERSU, o contrato foi celebrado com alguma solenidade, em Maio de 1997, na presença de José Sócrates. Os outorgantes eram o socialista Jorge Pombo, então presidente da Câmara da Covilhã, e os representantes do consórcio, entre os quais José Manuel Santos Silva. Na sequência desta primeira vitória, o grupo HLC veio a ganhar diversos concursos na área do Ambiente, ficando, entre outros, com os aterros dos distritos de Santarém e Beja, com o aterro de resíduos industriais não perigosos da Chamusca, com as estações de tratamento de águas residuais de Frielas e do Freixo e com a selagem de numerosas lixeiras no Ribatejo, no Norte e no Algarve.
Na área da construção, a Conegil, que continuou a ter José Manuel Santos Silva como administrador, viu multiplicarem-se as adjudicações públicas, em especial no Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna (GEPI) e em câmaras municipais, designadamente em Lisboa, Amadora, Alpiarça e Sintra, todas do PS. No final de 2001, coincidindo com o fim dos governos de Guterres, o grupo HLC começou a desfazer-se em falências, incluindo a da Conegil, que deixou dívidas de milhões e mais de uma dezena de grandes obras públicas por acabar.Autor dos estudos ambientaisFoi em plena expansão do grupo, em 1999, que a PJ começou a explorar as pistas que indiciavam o favorecimento da HLC/Conegil no concurso da Cova da Beira. As suas atenções centraram-se, além de alguns responsáveis do PS e do PSD da região, na ASM, uma empresa de projectos criada por António Morais - o professor que em Março de 1996 tinha sido nomeado director do GEPI por Armando Vara, então secretário de Estado da Administração Interna.
Antigo professor da Universidade da Beira Interior e militante do PS, António Morais viveu no Fundão entre 1989 e 1991 e mantém desde então estreitas relações com os meios políticos, empresariais e universitários da Covilhã. Daí que, como disse ao PÚBLICO, tenha sido convidado para preparar o concurso público do aterro da Cova da Beira. Tanto o programa de concurso, como o caderno de encargos e a avaliação técnica das propostas apresentadas pelos concorrentes foram da responsabilidade da ASM. António Morais foi aliás o autor dos estudos ambientais e financeiros que serviram de base ao concurso. Na avaliação das propostas que conduziu à controversa adjudicação à HLC, a ASM foi representada pela ex-mulher de Morais, já que o próprio não o podia fazer por ser director do GEPI.
As alegadas relações entre este e o grupo HLC, em especial com José Manuel Santos Silva, com o qual ainda hoje trabalha, estiveram na origem de buscas na ASM, levando à inquirição do professor e da então gerente.Despercebido não terá passado o facto de o GEPI, sob a direcção de Morais, ter adjudicado à HLC e à Conegil um importante negócio de telecomunicações e numerosas obras de quartéis e esquadras. Algumas destas adjudicações levaram a Inspecção-Geral da Administração do Território, em 2002, a identificar situações que "poderão questionar o interesse público das decisões tomadas, a transparência dos procedimentos, bem como a equidade" no tratamento dos concorrentes.
À investigação poderá também ter interessado um facto que o próprio Morais revela no seu currículo de consultor privado. Entre 1997 e 2000, enquanto dirigia o GEPI, elaborou um "estudo de viabilidade" para a Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos de Neath Port Talbot, um outro para uma estação idêntica em Wrexham, ambas em Inglaterra, e um terceiro para uma unidade do mesmo género em Mysolwice, Polónia. Além disso, fez um "estudo de estratégias de investimento na Polónia". Morais não o diz, mas o seu cliente em todos estes trabalhos foi o grupo HLC.Praticamente paradas durante anos, as investigações foram concluídas em Outubro passado, sete anos depois de iniciadas. O MP decidirá agora se acusa alguém ou não.

Nova frente ou "The Morais connection"?

Isto quanto mais se remexe no "assunto Sócrates" vai-se sempre parar em torno da misteriosa figura de António José Morais. Parece na realidade ser o centro de tudo. (Veja-se a este propósito: http://4.bp.blogspot.com/_xAb1Z1hNf_s/RifpCyv7L8I/AAAAAAAAAMQ/0LsIp8DlWbs/s1600-h/img035.jpg
Ex-professor de Sócrates envolvido no projecto. Morais, GEPI e construtora da Covilhã fizeram moradia de Armando Vara
20.04.2007 - 09h03
José António Cerejo PÚBLICO

Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o--Novo.
Para fazer as obras serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente. Tratava-se de fazer uma casa nova, com 335 m2, a partir de uma quase ruína de 171 m2. O alvará foi emitido em 2000 e a moradia, que nunca teve grande uso e se encontra praticamente abandonada, ficou pronta meses depois. Já em 2005, Vara celebrou um contrato para a vender a um particular por 240 mil euros, mas o negócio acabou por não se concretizar.Onde a história perde a banalidade é quando se vê quem projectou e construiu a moradia. O projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais. Os projectos de estabilidade e das redes de esgotos e águas foram subscritos por Rui Brás. Já as instalações eléctricas são da responsabilidade de João Morais. O alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope.A arquitecta Ana Morais era à época casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996. Nessa altura, recorde-se, foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI. Quanto a Rui Brás e a João Morais, trata-se de dois engenheiros que trabalhavam (e continuam a trabalhar) no GEPI, o gabinete então dirigido por Morais e tutelado por Armando Vara nos ministérios sucessivamente dirigidos por Alberto Costa e Jorge Coelho. Por esse gabinete passavam as adjudicações de todas as empreitadas e aquisições de equipamentos destinados às forças de segurança e a todos os serviços dependentes do MAI, no valor de muitas dezenas de milhões de euros por ano.Constrope trabalhava para o GEPIA Constrope era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais. Santos Silva está também ligado a outras empresas, entre as quais a Proengel, um gabinete de projecto com o qual António Morais mantém relações profissionais através de uma das suas empresas, a Geasm.O processo de licenciamento da moradia de Armando Vara foi coordenado pelo então director do GEPI, existindo na Câmara de Montemor-o--Novo um fax que o prova, em papel timbrado do gabinete do secretário de Estado adjunto do MAI, dirigido a António Morais para o fax 213147060, precisamente o número do seu gabinete. Nesse fax, de 17/2/1999, a secretária de Vara escreve: "Conforme combinado com sua excelência o secretário de Estado adjunto do MAI, junto envio documentos referentes a Montemor-o-Novo." Os documentos são as quatro folhas do registo predial da propriedade de Vara, necessárias para pedir o licenciamento.Contactados telefonicamente para o GEPI, Rui Brás e João Morais começaram por negar qualquer ligação ao caso e acabaram a dizer que não falavam sobre o assunto. "Isso é com o director", disse João Morais. António Morais, Ana Morais, Armando Vara, Santos Silva e os actuais administradores da Constrope não responderam aos recados ontem deixados pelo PÚBLICO.

19 abril, 2007

Os registos da Assembleia da República

Segundo Jaime Game adiantou ao semanário "O Sol" (http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=30231) o original da ficha biográfica de José Sócrates foi destruída. Ficaram apenas duplicados. (mesmo assim contraditórios). Agora pergunta-se: desde quando é que um organismo estatal destrói os originais e conserva os duplicados? Quem foi o autor de tal desiderato? Os originais dos outros deputados também foram destruídos? Mais outras questões podiam e deviam ser postas e de imediato respondidas. Mas fica uma outra, e esta para todos nós:

QUEREM FAZER DE NÓS PARVOS??!!!! OU ESTÃO A GOZAR CONNOSCO??!!!



Jaime Gama concluiu inquérito
Registos de Sócrates na AR foram destruídos
Por Eunice Lourenço e Manuel Agostinho Magalhães

Jaime Gama comunicou aos partidos que já não existem os originais das duas versões da ficha biográfica preenchida por José Sócrates no Parlamento, apurou o SOL


O original da ficha biográfica preenchida por José Sócrates já não existe, tendo sido destruída pelos serviços da Assembleia da República. Esta foi a conclusão do inquérito de Jaime Gama, aberto na sequência da divulgação de duas versões daquele documento, contendo dados discrepantes sobre as habilitações académicas e a profissão do então deputado Sócrates.

18 abril, 2007

Citação e comentário

"A corrupção tem um potencial corrosivo para a qualidade da democracia que não pode ser menosprezado. Como tal, todos devem ser chamados a travar a batalha da moralização da vida pública, a bem da democracia e a bem da República".
Cavaco Silva, Presidente da República - Cerimónia 5 de Outubro, Câmara Municipal de Lisboa, 05.10.06
Afinal de contas o que a blogosfera tem andado a fazer é nada mais nada menos que cumprir as ordens/desejos do presidente da República. É pena que quem de direito não o faça como é sua função, dever e obrigação.
O exemplo de hoje da conferência de imprensa da Universidade Independente acabou por se revelar um verdadeiro "flop". "Flop" para as expectativas criadas em torno dela, mas cheia de recados e significados para o P. S., o governo e para a dupla Sócrates/Gago: vão ficar em silêncio até à decisão final!!
Ou seja, até à próxima semana. Se insistirem em fechar "a tasca" então nessa altura teremos muito gosto em conversar.

17 abril, 2007

Isto há cada coincidência...

De acordo com o PortugalDiário (http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=798343&div_id=291). Sabendo o que se passa na Câmara Municipal de Lisboa, nas empresas municipais, nas questões em torno dos vereadores, então não é que a coisa vem mesmo a calhar? Não podia ser na próxima semana e na semana anterior não dava geito aos ladrões! E esta, hein...?


Gebalis foi alvo de assalto
2007/04/17 12:09 Patrícia Pires

Ladrões levaram os computadores da empresa municipal. PJ está no local


O gabinete de gestão da Gebalis, situado no Bairro da Boavista, foi assaltado, ao que tudo indica, na madrugada de domingo para segunda-feira. A informação foi confirmada ao PortugalDiário pelo administrador da empresa, Mário Peças.
Entre outros objectos, os assaltantes «levaram computadores e uma máquina», afirmou o administrador. Entretanto, a Polícia Judiciária foi chamada ao local, «como é habitual nestas situações, para dar conta da ocorrência e fazer as devidas peritagens e investigações», explicou a mesma fonte.
Os "amigos do alheio" forçaram uma das portas das instalações e, sem causarem estragos, levaram «cinco computadores, uma máquina digital, lápis, canetas e material de escritório», acrescenta Mário Peças. O prejuízo final da visita indesejada ainda não foi calculado, mas o administrador adiantou ao PortugalDiário que deve rondar os «quatro mil euros».
Se se fizer uma pesquisa repara-se que o próprio PortugalDiário remete para esta outra(http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=797798):

PS não quer Gebalis na mão de Lipari

2007/04/15 18:00

E vai pedir, esta segunda-feira, à autarquia que lhe retire a gestão

O PS vai pedir segunda-feira à Câmara Municipal de Lisboa que seja retirada a gestão da GEBALIS, empresa que gere os bairros municipais, ao vereador social-democrata com o pelouro da Habitação Social, disse este domingo à Agência Lusa fonte socialista.
O vereador socialista Dias Baptista adiantou à Lusa que o pedido será feito na reunião extraordinária que a edilidade vai realizar segunda-feira, para discussão do relatório e contas de 2006, alegando que Sérgio Lipari Pinto «já não tem condições para prosseguir» no cargo.
Para quem goste de juntar 1+1=...

16 abril, 2007

RVCC - Novas oportunidades






OMO lava mais branco!!!

Universidade convidou o primeiro-ministro
Independente revela amanhã resultado do inquérito interno ao processo de Sócrates
16.04.2007 - 16h53 Lusa

A Universidade Independente vai divulgar amanhã as conclusões da averiguação realizada internamente ao processo de José Sócrates, numa conferência de imprensa para a qual convidou o primeiro-ministro e o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago.

Obviamente que com tanta cerimónia é mesmo para lavar tudo bem lavadinho...
Já houve tempo para por tudo em ordem....

15 abril, 2007

Cavaco, os outros e o "Dossier Sócrates"

Finalmente a eminência de Belém pronunciou-se não se pronunciando sobre o assunto que vem agitando a comunicação social e a blogosfera nas últimas semanas, o que vem a dar no mesmo. Matéria de debate aceso, com posicionamentos por vezes levados a extremismos, mas com obrigatoriedade de conhecimento e uma forçosa (em muitos casos) tomada de posição.
Da posição oficial dos partidos já se percebeu que não há vontade política de "fazer ondas". Não há, como agora é gíria, vontade de cavalgar a onda. O que, convenhamos, não deixa de ser estranho. Muito estranho, mesmo.
Da chamada "oposição" (oposição apenas por não estar no poder) apenas Marques Mendes (na qualidade de líder partidário) exigiu uma clarificação cabal da situação recorrendo à figura de uma comissão independente. Ficou a falar sozinho. Os barões do PSD não o acompanharam!! Porquê? Rabos de palha?? Talvez não... Marques Mendes deve saber mais que aquilo que diz e isso deve ser fogo mesmo no interior do seu partido....
O PCP e o Bloco de Esquerda estão quietos e calados que nem ratos... Não deixa de ser estranho!! Mas mesmo muito estranho.... Será que esperam, na próxima legislatura, "abichar" uma coligação com o PS? Ou também estarão "entalados" com o caso? Pelo menos sabe-se que o novo reitor da Independente foi eleito, pelo Bloco de Esquerda, para a Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos! Haverá aqui trocas?... É que a Câmara de Salvaterra de Magos, em particular a sua presidente (ex-PCP, actual bloquista) é arguida num processo de situações menos claras lá para aqueles lados...
A entourage do Partido Socialista saiu, muito naturalmente, em defesa da sua púdica dama ofendida!
O CDS/PP está também muito sossegado. Andam entretidos com as quezílias internas e não ligam patavina a este caso...
E o presidente da República? No meio disto tudo falou.... e não disse nada! E não dizendo nada disse muito! Típico! Não convém, ou não interessa mexer no caso. Disse Cavaco: «Não acredito que esteja aí o problema mais importante que tenhamos de resolver. (...) Não é concerteza o mais importante para o desenvolvimento do país».
Ora aqui é que bate o ponto!!! Estas foram frases verdadeiramente assassinas para aquilo que se pretende para o futuro: mais do mesmo! Enquanto garante da autoridade do Estado, enquanto representante perante todos nós e perante a comunidade internacional, Cavaco Silva nunca poderia ter dito o que disse. O que ele disse, verdadeiramente, é que quer que isto assim continue. Um atoleiro de corrupção, compadrios, tráfico de influências, prebendas, manigâncias, esquemas estranhos e fraudulentos, negociatas de pacotilha, etc... Não percebeu, nem muitos como ele perceberam, que a razão de todos os nossos males enquanto país, enquanto economia inserida no espaço europeu, enquanto sociedade, reside na nossa classe política que não é exemplo para ninguém. Não está para servir o país... Não tem valores éticos ou morais... Não se preocupam com as pessoas... só os cifrões contam... Preocupam-se antes em cumprir os ditames do exterior.... FMI, OCDE, União Europeia, Bilderbereg.... etc....
É pela mudança radical de atitude da classe política perante valores que deviam ser perenes, inamovíveis e universais como a verticalidade, honradez, solidariedade, a justiça, a clareza de actos, intenções e processos, entre muitos outros que os problemas do país se resolvem.
Ao não ter ainda percebido isto, Cavaco dá-nos a receita de sempre! Os resultados serão sempre os mesmos: nunca sairemos da cepa torta...
Os partidos políticos (verdadeiras escolas de carreirismo político e oportunismos) estão olimpicamente calados e sossegados pois sabem que a alteração do actual modus facciendi significa, inelutavelmente, o seu fim como organizações e carreiras pessoais.
Os nossos "queridos políticos" querem transformar o país numa quinta onde possam passear as suas vaidades.... Mas uma nova consciência começa a nascer neste espaço da "blogosfera". Uma consciência de cidadania. Por isso é que os nossos "queridos políticos" a querem silenciar!
Não podemos permiti-lo!!!

13 abril, 2007

O Estranho caso do "Dossier Sócrates" - Epílogo?

Com a intervenção do "nosso primeiro" na televisão ter-se-á dado (pelo menos aparentemente) o cair do pano sobre este folhetim que animou o povo por algumas semanas. Animou, mas não convenceu aqueles que minimamente estão a par do caso. Apenas os que não se dão ao trabalho de pensar um pouquito (ou então que ocultam interesses que só eles próprios sabem) é que centralizam a questão em torno de dois pontos perfeitamente marginais - ter ou não a licenciatura (a questão das habilitações) e o ser ou não bom primeiro ministro (a questão das competências técnicas).
O problema eleva-se bem mais alto que estas questões comezinhas e terra a terra. Ele (problema) situa-se ao nível da ética, da moral e da autoridade políticas. E não na legitimidade (como alguns tentaram fazer passar). Esta vem dos votos expressos, e isso foi feito em 2005. As outras mostram-se ou ganham-se com o saber estar, o saber ser e o exercer. É em boa medida não apenas uma questão de competências mas também de carácter.
Fica em forma de conclusão o texto abaixo publicado por José da Grande loja do Queijo Limiano. Parece-me ser um bom epílogo. Mas pode ser que haja mais... nunca se sabe....

No caso Sócrates, depois da entrevista de quarta feira, na RTP1, perante as “dúvidas legítimas” que se levantaram com os factos já conhecidos e divulgados, alguns já depois da entrevista, uma certa classe de pessoas, a maioria dos políticos deste país e um certo tipo de comentadores, declara-se satisfeita e até plenamente satisfeita, com as explicações do actual Primeiro Ministro. Nada mais há a esclarecer, porque o Primeiro Ministro falou, mostrou assim uns papés a modo de prova plena de honorabilidade e isso chega perfeitamente. A crítica que he fazem é apenas a de não os ter mostrado mais cedo...Compreende-se. O caso virou assunto de luta politico-partidária. Logo, as regras são outras. Desaparecem os valores de cidadania, para darem lugar aos valores da política á portuguesa.
O caso Sócrates vai morrer assim, às mãos dos políticos, porque a partir daqui, pouco interessa que Sócrates tenha mentido ( quem não mente em politica, interrogam-se os mesmos?); pouco interessa que as explicações para alguns factos não tenham qualquer ponta por onde se lhe pegue ( quem é que no Parlamento ainda não se viu nas mesmas andanças?) e pouco interessa trazer para a política discutida, a valorização ética de procedimentos de carácter ( todos sabem que isso é secundaríssimo perante os interesses politico-partidários e a competência política absorve completamente essas manchas no carácter, seja de quem for).
O que é que nos resta a nós, cidadãos sem partido ou com ideias diferentes dessa lógica de luta pelo poder político? Lutar também. Pelas ideias que são válidas. A transparência, a alternância democrática, a correcção de procedimentos, a honestidade e verticalidade nos princípios e outros valores éticos e cívicos.Não falei sequer da legalidade. Podemos ter agora a certeza absoluta que isso é uma ideia feita para inglês ver e que a legalidade para os políticos portugueses é apenas uma arma de arremesso, quando convém.
O descrédito completo dos políticos e da política está patenteado nestas atitudes e as consequências, mais tarde ou mais cedo chegarão. Até para eles.

12 abril, 2007

A entrevista (?) de Sócrates

Para quem não está por dentro do assunto até parece que o Primeiro se safou bem! Mas uma análise mais a frio permite observar uma série de brechas muito sérias. Deixemos de parte aquela história da pressão sobre jornais e jornalistas. Esse terá sido um erro crasso de Sócrates e dos seus "gestores de crises".
Ficaram de facto muitas coisas por explicar, e por mais papelada que Sócrates tenha apresentado houve uma coisa que NÃO apresentou e devia tê-lo feito: o seu trabalho final de Projecto. Para quem obteve a classificação de 18 este devia ser motivo de orgulho, exibição e e justificação q. b. da própria licenciatura. Não o fez! Esquecimento ou... não há?
Bem mas há mais algumas "coisitas". Por exemplo, a historieta do fax! Escudou-se com a lei das incompatibilidades que eram a origem do seu "desconsolo" e o impedia de aceitar o lugar de professor na Independente para o qual tinha sido convidado pelo Reitor. Será que não se aplica o art.º 7º, nº 2 da referida lei ?:


"Artigo 7º
Regime geral e excepções
2 - As actividades de docência no ensino superior e de investigação não são incompatíveis com a titularidade de altos cargos públicos, bem como as inerências a título gratuito. "

http://www.cne.pt/dl/1incompatibilidades2002.pdf


Mas há muitas mais "coisitas" a pairar. Disse que só na Independente conheceu António Morais (depois de ter dito ao Público de 22/03/2007 que não se lembrava dos Profes). Parece que também não é bem assim. É que, segundo o DoPortugal Profundo (http://doportugalprofundo.blogspot.com/):
António José Morais foi professor de Sócrates no ISEL
António José Morais foi o professor da cadeira de Geologia e Geotecnia Aplicadas do 1.º semestre do 1.º ano do CESE em Engenharia Civil no perfil Transportes e Vias de Comunicação do ISEL em 1994/95 no ano em que José Sócrates foi aluno desse curso. Essa cadeira não teve outro docente. José Sócrates foi avaliado nessa cadeira e obteve 16 valores. António José Morais terá sido o seu professor nessa cadeira.
O Prof. Doutor António José Morais foi docente do CESE do ISEL em Engenharia Civil entre 1992 e 1995. Leccionou além da cadeira de Geologia e Geotecnia Aplicadas, também as cadeiras do 2.º ano do CESE do ISEL em Técnicas de Construção I e Pavimentação. José Sócrates não chegou a frequentar o segundo ano do curso.
Bem, parece que a trapalhada continua.

10 abril, 2007

O país que temos

Este texto (que não é da minha autoria - foi assinado por um tal Estou farto, no blogue Do Portugal Profundo) reflecte de forma muito séria a realidade portuguesa não apenas da actualidade, mas aquela que se foi construindo ao longo dos anos da dita democracia ou melhor da partidocracia vigente. É, de alguma forma, um texto amargurado, desencantado com a situação. Mas também significa que há gente atenta ao que se passa; que o poder não passa inóquo; ao cidadão; que o político também é vigiado apesar de contra ele apenas se poder agir nas eleições (por enquanto); que existe consciência cívica e política entre os cidadãos (apesar de muitos demonstrarem a sua ignorância política dizendo não ligo a política..., não pecebo de política..., ou aquela máxima salazarista a minha política é o trabalho....).
Há que despertar as consciências. Há que fazer ver às pessoas que tudo isto lhes diz respeito e que por tal têm uma palavra a dizer....
Nos combóios, nos autocarros, nas ruas e nos corredores comenta-se, à boca cheia, a hipocrisia do "curso" do Primeiro-Ministro. O tal Primeiro-Ministro que, na campanha eleitoral, nos prometia credibilidade, verdade e ... "Rumo". Pressões sobre os jornalistas - os representantes do 4º poder - avolumam-se enquanto se preparam leis para condicionar, ainda mais, a circulação da informação, tanto nos media como na internet. As escutas telefónicas e a censura, paulatinamente, instalam-se no dia a dia, para que não se possa incomodar o conforto e o bem estar dos detentores do poder. Assessores, cujo único fito é branquear a "imagem", pululam nos corredores dos diferentes poderes.
Oculta-se despudoradamente o que é desvantajoso para as diferentes clientelas político-partidárias. As decisões mais importantes ( OTAs, TGVs, OPAs, atribuição de subsídios, projectos de investimento) são tomadas nos silêncios, cumplices, dos gabinetes. O desgoverno geral da nação é patente, tanto pela ausência de politicas coerentes e credíveis, como pelas farsas dos "estudos", cujos autores se escamoteiam, que sustentam medidas, no mínimo, aberrantes, discricionárias e contraditórias, mas que interferem seriamente na vida dos governados, como são o caso de fecho de escolas, de maternidades e de centros de saúde, sem qualquer explicação cabal da justeza e acerto de tais medidas.
Promessas de apuramentos rigorosos de responsabilidades sucedem-se no caixote do lixo do esquecimento e da impunidade. Afirmações disparatadas e descredibilizadoras de membros do governo ("Allgarve", "jornalismo de sarjeta", etc etc etc) pululam diariamente nos media. O descalabro geral do país é patente e gritante em todas as esferas: justiça, segurança, educação, saúde, fiscalidade, economia, transportes.
Combate-se os "privilegiados", neles se incluindo os reformados, os doentes e os idosos, enquanto se sucedem noticias de situações escandalosas de nomeações, reformas, indemnizações milionárias e privilégios sem fim. Escândalos sucessivos (Casa Pia, Apito Dourado, assaltos à mão armada, etc) enchem as primeiras páginas dos jornais. O atraso económico acentua-se. O desemprego aumenta. A insegurança dispara.
O "salve-se quem puder" é agora o pão nosso de cada dia. Desde os alunos da UnI aos empregados das empresas falidas ou "deslocalizadas" e aos funcionários públicos subita e inexplicadamente dispensados.
Mas é neste quadro que um Primeiro Ministro, totalmente descredibilizado perante a opinião pública interna, e totalmente ignorado na opinião pública mundial, se prepara para assumir a Presidência da União Europeia. Apesar disso, de tudo isso, e como se não fôsse pouco, os partidos da oposição refugiam-se num silêncio ensurdecedor. E comprometedor. As autoridades fiscalizadoras do regime - Presidente da República, Assembleia da República, Procurador Geral da República e polícias - assobiam para o lado, preocupando-se antes com outras "prioridades".
Enquanto nos tribunais, essa outra figura do "regime", se entulham os processos contra o próprio Estado e se arrastam, por anos, processos que ilustram a ineficácia das leis. Pedem-se, em cada ano que passa, mais "sacrifícios" à população, em nome do "bem comum", enquanto se agravam, de forma encapotada, impostos, taxas, coimas, multas e afins. Promete-se o céu para amanhã, enquanto se instala o pesadelo no hoje. Estamos num regime sem doutrina, sem ética e sem moral. Até quando ? Como pode a sociedade civil regenerar um País que não se reconhece na actuação dos políticos eleitos ?

07 abril, 2007

Páscoa da Cidadania

"Pela verdade dos media e do Estado sobre o Dossier Sócrates: http://doportugalprofundo.com"

Pensamento do dia - Páscoa da Cidadania!

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-carácter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!"
Martin Luther King

Uma análise ao perfil dos políticos portugueses

E certeira... Depois digo quem foi o autor!

"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade."

06 abril, 2007

Um pouco de humor (sério)


O estranho caso do "Dossier Sócrates" - VI

A "coisa" parece complicar-se ainda mais com esta novidade. Terá começado a campanha "OMO lava mais branco?"


Investigação do PÚBLICO
Reitor Luís Arouca omitiu documentos do dossier da licenciatura de Sócrates
06.04.2007 - 10h02
Ricardo Dias Felner

O dossier de licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente (UnI), revelado ao PÚBLICO no dia 16 de Março, não estava, afinal, completo. Embora na altura da consulta — autorizada pelo primeiro-ministro — o antigo reitor da UnI tenha garantido que estava a disponibilizar todos os documentos sobre o aluno existentes naquela instituição, as duas jornalistas do "Expresso" que fizeram a mesma diligência seis dias depois tiveram acesso a outras partes do processo. Por outro lado, pelo menos duas alegadas pautas dadas ao PÚBLICO, e que mostravam notas divergentes com as indicadas no certificado de habilitações do curso, desapareceram do dossier.
As fotocópias fornecidas ao PÚBLICO somavam 17 folhas, delas constando, nomeadamente, para além do certificado de habilitações da universidade e da folha apresentada como sendo um pauta, uma folha com as cadeiras que José Sócrates concluíra ao longo da sua licenciatura e uma certidão das cadeiras completas no Instituto de Engenharia de Lisboa, com a data de Julho de 1996. Nessa altura, questionado sobre se não existiriam outras provas que indicassem, por exemplo, quem haviam sido os regentes das cadeiras concluídas por José Sócrates, o antigo reitor da Independente, Luís Arouca, afirmou taxativamente: “Nós não temos cá mais nada para além daquilo que eu lhe dei”, acrescentando ainda: “Ao fim de cinco anos vai tudo para o maneta”. No dia 22 de Março, contudo, quando duas jornalistas do "Expresso" se dirigiram à UnI para ver o processo, surgiram novas folhas, sem que tenha sido dada qualquer explicação para tal facto. De acordo com uma das jornalistas do "Expresso" presentes nessa consulta — que foi acompanhada por quatro homens, para além de Luís Arouca —, foram revelados, pelo menos, seis novos documentos relativamente ao dossier mostrado ao PÚBLICO. Entre eles estavam cinco alegadas pautas, cada uma correspondendo às cadeiras que constam do certificado de licenciatura de José Sócrates. A de Inglês Técnico aparece com a assinatura de Luís Arouca e as restantes, todas da área das estruturas, com a assinatura de António José Morais. Não foram, contudo, incluídos no dossier mostrado ao "Expresso" outras duas “pautas” reveladas ao PÚBLICO. Nessas folhas, que são uma grelha do plano de curso, com a carga horária e a designação de cada disciplina, foram acrescentadas as notas de Sócrates. Comparadas as notas aí apresentadas com as que constam do certificado de habilitações, conclui-se que as avaliações finais são díspares em três cadeiras. Na disciplina de Betão Armado e Pré-Esforçado, a nota manuscrita é 17 e no certificado é 18. O mesmo sucede na cadeira de Projecto e Dissertação: uma nota de 17 passa a ser de 18. Só a Análise de Estruturas é diminuída a avaliação: de 17, no certificado, para 16, na folha apresentada como pauta. A Inglês Técnico a nota mantém-se.

O estranho caso do "Dossier Sócrates" - V

Os desenvolvimentos não são muitos, mas os poucos que surgem parecem importantes. Assim, e para além do agendamento de publicamente explicar a questão na próxima semana por parte de José Sócrates (coisa que há muito tempo devia ter feito - daí o avolumar das suspeitas) nos meios de comunicação, há mais uma ou duas coisas estranhas.
Mas em 1º lugar pergunta-se: porquê o sucessivo protelamento das explicações por parte do principal visado? Ganhar tempo, para quê? Será para "preparar o terreno" e emergir como vítima? É estranho, no mínimo.
No entanto :
No mini-telejornal da RTP1 vocês viram o mesmo que eu, ou alucinei? Então não é que, a modos de câmara semi-lenta com nitidez esfumada, ampliam o certificado de habilitações (ou será aproveitamento???) do antigo aluno José Sócrates, não manuscrito mas sim imprimido via Pc, e eis que no rodapé do mesmo certificado José Sócrates tem nº de aluno. Das duas uma: ou tive uma alucinação, ou então não mostraram tudo o que havia para mostrar aos jornalistas autorizados a consultar os mesmos. Hum ... palpita-me que na próxima 4ª feira Portugal vai ser atacado pelo vírus da alucinação colectiva.
Comentário de um habitual seguidor desta controvésia no blogue Do Portugal Profundo.
Mas, o que se poderá chamar a isto?
Damage control?
Título do Diário de Notícias de hoje (06/04/2007) - A notícia fica linkada a seguir.
Novo reitor da Independente trabalha sob a direcção de Vara
Ainda no mesmo Diário de Notícias:
Cavaco prepara resposta à crise Sócrates/Independente
Deixo alguns extractos desta última. Os juízos e leituras cada um que as faça:
Segundo fonte de Belém, Cavaco Silva está muito preocupado com as consequências deste caso que, a avolumar-se, precisará de uma resposta política, com controlo de danos.
(...)
Em Belém, existe a percepção de que Sócrates "anda muito nervoso" e que a gestão do silêncio que tem feito quanto às suspeitas sobre a sua licenciatura em Engenharia Civil pela UnI não tem sido a melhor forma de lidar com o problema.
(...)
Joaquim Aguiar, que integrou a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva a Belém, a defender que "há um momento em que o Presidente é chamado a intervir". Na opinião do sociólogo, "estamos a cair num vazio de decisão e por isso é preciso pôr ordem na acumulação de problemas". O que "só pode ser feito pelo Chefe do Estado, que poderá ajudar o Governo a não perder a face". Ou seja, Cavaco tem de agir nos bastidores.
(...)
Apenas uma última curiosidade:
O advogado Rodrigo Santiago (advogado do ex-reitor Luis Arouca) não faz parte da actual equipa dirigente da Universidade Independente?
Dá para pensar!
E como dizia o outro: "... e mais não digo."

05 abril, 2007

O estranho caso do "Dossier Sócrates" - IV

Definitivamente a "coisa" está a ficar complicada para o "nosso" primeiro. Finalmente a comunicação social começou a dar relevo à investigação levada a cabo por António Balbino Caldeira. Esta, exposta no Do Portugal Profundo (http://doportugalprofundo.blogspot.com/) há longa data (desde 22/02/2005), põe a nú as fraquezas de Sócrates e, no fundo, as de muitos outros que são o apelo irresistível do "título e do canudo". Uma coisa é certa: não se trata de denúncia anónima (o dito blogue está e esteve desde sempre devidamente identificado) e não são simples boatos (a investigação apoia-se em factos inúmeras vezes contraditórios entre si). Mais, as tentativas de explicação que de quando em quando surgem por parte de quem tinha por obrigação apresentar os esclarecimentos necessários ao desfazer das dúvidas enunciadas ainda acaba por contribuir ainda mais para "atolar" a situação, o que conduz à inevitável certeza de que algo não está bem! Parece que no "pântano" avistado por Guterres se enterrou Sócrates.
Há coisas que de facto não fazem sentido. E a primeira é a célebre frase do ex-reitor da Universidade Independente: "foi tudo para o maneta". Numa Universidade/Empresa que se pretendia credível no meio, não deixa de ser estranho. Depois as constantes alterações do currículo do "nosso" primeiro no site oficial do Governo. Caramba, no site oficial, repito. Não é nos sites do "Jaquim das Hortas" ou do "Zé dos Anzóis". Depois, depois vem tudo o resto e que já se conhece. Mas o que é verdadeiramente importante para nós (e para além do que se passa em termos de negócios na Universidade Independente que é caso de polícia) é o perfil dos políticos que temos e da sua "entourage". Perfil político, psicológico, pessoal, ético e moral. Como diz o Paulo Guinote num comentário no seu blogue "A Educação do meu umbigo" (http://educar.wordpress.com/2007/04/02/a-ervilha-que-perturba-o-sono/)
A questão é se queremos um PM que embeleza a verdade, oculta informação e, em última instância, entra em esquemas estranhos no seu trajecto pessoal e depois tenta uma manobra canhestra de cover-up. Se o faz isso em relação a uma treta de currículo que nem necessário é para ser PM, como será com coisas mais importantes.
Agora o "nosso" primeiro promete aparecer na TV a explicar esta e outras questões na próxima semana. Está à espera de quê? Arranjar novos subterfúgios? Lançar as culpas para cima da Universidade Independente? Que Mariano Gago lhe descalce a bota? Arranjar o processo completo e sem mácula? Que Cavaco lhe diga o que fazer? Ou anunciar a demissão? E a indigitação de novo primeiro (já há quem fale e se fale no António Costa!)? Reconhecer o erro?
Será melhor aguardar por cenas dos próximos capítulos. Até lá não lhe irão certamente facilitar a vida - os blogues e alguma comunicação social. É que alguma desta já começou a acordar e a perceber que o "nosso" primeiro pretende "disciplinar" a actividade da comunicação. E parece que não estão de acordo. Até lá, aguardemos....