31 dezembro, 2007

Fim de ano com .... Inglês Técnico

Creio que todos os portugueses devem sentir-se "double proud" no final deste ano por terem um primeiro-ministro como este:

video

27 dezembro, 2007

Milagre de Fátima????

Retirada do Correio da Manhã de hoje:
Como é possível que alguém reformado por invalidez da CGD ao fim de 18 meses(entre outras mais), com uma pensão de reforma de causar inveja ao mais pintado vai aparecer agora, vivinho da costa, a vender saúde, na liderança de um novo banco?
Será para sair daqui a 18 meses com outra reforma igual?
Será que o que recebe das reformas não lhe chega para os "charutos", como dizia o outro antigo ministro?
Já não há qualquer pingo de vergonha.... É a desfaçatez total, completa e acabada....


BIC ANGOLA NASCE A 11 DE JANEIRO
O primeiro banco nacional com maioria de capital angolano será formalmente constituído dia 11 de Janeiro. A instituição, que deverá ser liderada por Mira Amaral, vai expandir-se para o Porto e outras zonas do país e tem como accionistas de referência Américo Amorim e a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente Eduardo dos Santos. Cada um com 25% de capital. O restante capital será dividido por vários accionistas angolanos. A instituição luso-angolana propõe-se operar na área da banca grossista, aplicando o património dos angolanos na Europa. Pretende ainda estreitar as relações económicas entre Lisboa e Luanda

19 dezembro, 2007

A questão da segurança

Num inquérito aos leitores sobre a videovigilância elaborado pelo jornal Público, quase 70% dos participantes mostraram-se favoráveis a essa forma de segurança. A maior parte dos restantes apoiava-a apenas em locais perigosos. Uma ínfima parcela estava naturalmente contra.
Os poderes instituidos das sociedades actuais fomentam este binómio cultural:
insegurança/medo.
Sob as mais diversas formas: os ataques terroristas (quem sabe se não inventados - false flags), as doenças mortais largamente propagandeadas (mas nunca ocorridas - gripe das aves, vacas loucas, etc.), a espaventosa divulgação do aumento da criminalidade, as formidáveis pandemias que nos ameaçam (gripe das aves, etc...), as ameaças metereológicas (e os seus infindáveis alertas amarelos, laranjas....), enfim uma panóplia de ameaças que pairam sobre os indefesos cidadãos. E estes precisam de ser protegidos!!!! E precisam de segurança!!!
Mas se calhar o grande objectivo é controlar a actividade dos cidadãos. E estes só aceitarão ser controlados se sentirem as ameaças à sua segurança.
Isto significa que a maior parte dos cidadãos está disposto a abdicar da sua liberdade e ver todos os seus movimentos escrutinados a troco de uma pretensa segurança. Juntando 1+1....




A INSTRUÇÃO DO MEDO

Baptista Bastos


Os portugueses estão a ser espreitados por todos os sítios, lugares e ângulos, e esta estrutura muito moderna, eficaz e internacional de "segurança" parece torná-los extremamente felizes e, até, levemente excitados. O olho electrónico quase se tornou numa expressão artística: possui todos os moldes, formas, cores e tamanhos. Nos bancos, nos elevadores, nos hospitais, nos bairros mais elegantes, nos corredores dos hotéis, nas repartições, nos Correios, à esquina, no cairel dos edifícios, nas auto-estradas e nas ruas, de dia e à noite, com aviso e sem aviso - lá está ele. Quem sabe se a vigília incide sobre os amores clandestinos, como no belíssimo poema de Daniel Filipe? Asseguram-me que, em breve, estará nos cemitérios. Não por causa dos habitantes; sim para dissuadir quem ouse profanar o pétreo sono dos mortos.
O olho incisivo, inclemente, gélido, implacável, informa, não se sabe bem a quem, daquilo que, modestamente, estamos a fazer. As nossas minudências quotidianas: contemplar os movimentos do andar de certas mulheres, observar os livros expostos em montras, recalcitrar contra a vida infame, são decifradas como sujeito de intriga e apreensão públicas. E "ninguém sabe quantas câmaras nos andam a filmar todos os dias", diz o Expresso num bem organizado texto de Filipe Santos Costa.José Magalhães tranquiliza-nos: "Isto não é o advento do Robocop." O sossego das almas dura pouco. O secretário de Estado adverte: "Estamos a caminho de uma sociedade onde a videovigilância é utilizada por cada vez mais entidades." Está aqui muito bem fixado o que nos espera. O lirismo das ruas, a épica das noites molhadas em balcões de bares, a frenética agitação triangular entre o Bairro Alto, 24 de Julho e Docas deixam, ou já deixaram, de ser o poema que se procura para se transformar numa perpétua homenagem ao império da desconfiança. A sociedade, num futuro muito próximo, reduzirá o seu já limitado espaço de liberdade a uma instância insistentemente policiada. Não haverá sociedade como intervenção cultural, relação com o contrário, subdivisão de grupos de interesses, coexistência de sinalizações alternativas. Ser continuamente vigiado liquida o fundamento das instituições democráticas, o qual oscila entre o tratamento igualitário e o tratamento diferenciado. Impossível escapar ao reconhecimento de que caminhamos para uma nova e diferente ditadura, dissimulada em leis de "segurança", de "ordem" e de "autoridade". Não há lugar para o exercício das "referências", porque se deixou de admitir a alteridade. Uma das características sociais reside no direito do indivíduo a não ser "massa", e a recusar a rigidez identitária que a vigilância (pelo medo que lhe subjaz) sugere, impõe e inculca.
Não sorria. Está a ser filmado.

14 dezembro, 2007

Uma questão de prioridades....



Pois é! Como tudo na vida há prioridades e prioridades. Aqui o Reino da Macacada sofreu com elas. A prioridade foi para outro lado... Enfim, retomemos então... agora que mais aliviados!!


Mas é aquilo que se diz - uma questão de prioridades:


É que enquanto Bragança, em pleno mês de Dezembro (pasme-se!!!) está à míngua de água por falta de dinheiro do governo para fazer uma barragem (reclamada há 20 anos) que obviasse a esta triste situação, foi possível neste país arranjar 10 milhões de euros (sim, 10 milhões) para "esturrar" num fim de semana com a cimeira UE-África, alimentando a desmesurada vaidade e o incontido ego do licenciado Sócrates....


É tudo, como a princípio se disse, uma questão de prioridades....


26 novembro, 2007

Marcelices

Costumo, mais por hábito que por outra coisa, assistir aquela espécie de "conversa em família" do Professor Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos à noite na RTP 1. Acho-o de alguma forma engraçado. Mas no último domingo passou das marcas.
Disse a propósito do Procurador-geral da República: "Sinto-o entalado"! Entalado onde? O que é que Marcelo sente entalado? Quem não soubesse do que ele estava a falar podia ver segundos sentidos...
Mas outro bocado estava guardado! Dizia Marcelo que "A greve vai ter sucesso porque é uma ponte"
Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu descobrir que 30 Novembro/1 de Dezembro era uma ponte. Questionado pela dama de companhia lá explicou que era uma ponte porque a greve era numa sexta-feira. Marcelo precisa urgentemente de rever a sua cultura de engenharia, ou actualizar o calendário!

21 novembro, 2007

Num acredito em bruxas, nem em coincidências....

Não acredito em bruxas, nem em coincidências, mas que as há, lá isso há....
A personagem é conhecida. E o suposto trabalho que deveria fazer (não fez, recebeu, renovou a receber 10 vezes mais por mês...) até já existia feito - era o conhecido de muitos - o Suporte Legislativo do ME. Pois é, contrata-se para fazer uma coisa que já existe feita há tempos e actualizada. E um advogado a fazer este serviço??? Qualquer contínuo do Ministério sabia fazer o mesmo ganhando muito menos. Procurar a legislação no DR, fotocopiá-la e fazer índices por assunto, tipo de documento, data de publicação, enfim...
Deem-me o serviço por esse preço, que eu faço o mesmo para todos os Ministérios....
No mínimo tudo isto é muito estranho... E o personagem em causa é conhecidissimo de todos...
21-11-2007, 07:19h
Advogado contratado duas vezes
O ministério da Educação contratou duas vezes o mesmo advogado para fazer o mesmo trabalho. No primeiro contrato, o advogado João Pedroso comprometia-se a fazer um levantamento das leis sobre a Educação e ainda a elaborar um manual de direito da Educação. O trabalho deveria estar concluído até Maio de 2006, mas tal não aconteceu. Apesar de não ter sido concluído nos prazos previstos, o advogado recebeu a remuneração.
Ainda assim,o ministério fez depois com João Pedroso um novo contrato com os mesmos objectivos, mas a pagar uma remuneração muito mais elevada. Em vez dos iniciais 1500 euros por mês, João Pedroso passou a receber 20 mil euros/mês.
Perante estes factos, o ministério da Educação justifica-se dizendo que os objectivos do primeiro contrato não foram cumpridos por erro de avaliação. O secretário-geral do ministério assume as responsabilidades da tutela. Ao Rádio Clube, João da Silva Baptista diz que o ministério não soube avaliar o volume de trabalho que entregou à equipa liderada por João Pedroso da primeira vez.
Por causa do erro de avaliação, o ministério da Educação acabou por ficar sem possibilidade de exigir a João Pedroso para acabar o trabalho pelo qual foi pago e decidiu por isso pagar mais e renovar o contrato.
João Pedroso, contactado pelo Rádio Clube, recusou comentar os contratos que assinou com o ministério da Educação, remetendo todos os esclarecimentos para o Governo.

20 novembro, 2007

Para que não passe despercebido

Aos poucos a sociedade vai-se apercebendo do que REALMENTE se passa na Educação em Portugal. Já se começa a vislumbrar, pelos resultados, pelas trapalhadas do Ministério da Educação, pela salgalhada legislativa, pelo constante "spin" efectuado pela NOMENKLATURA do regime socretino, o verdadeiro estado de sítio em que vive a educação em Portugal.
Já se percebe, realmente, que aquilo que inporta não é a VERDADEIRA preparação dos nossos alunos, mas os lindos números para apresentar à Europa.
É o reino do faz de conta. Faz-se de conta que se qualifica com o 12º ano em 6 meses... faz-se de conta que por os alunos passarem de ano sabem muito.... faz-se de conta que não existe insucesso... faz-se de conta que não há abandono escolar... faz-se de conta que não há iliteracia... faz-se de conta que não há analfabetismo cultural e funcional... faz-se de conta que tudo está bem no ensino... faz-se de conta que há eficiência.... faz-se de conta que há rigor... faz-se de conta que há seriedade... faz-se de conta que se qualifica... faz-se de conta que se certifica... faz-se conta que o país existe.... faz-se de conta....
É o país do fingimento. É uma treta...
E a cegueira é tanta e em tantos sítios que mete dó! se ganhasse um pouco mais ainda daria esmola, mas assim não...



2007-11-20 - 00:00:00

Batota na Educação


Já não é a primeira vez que os professores são forçados a melhorar as notas dos alunos para as estatísticas do ensino terem um ar mais agradável. A novidade é as pressões começarem tão cedo, logo nos primeiros meses do ano lectivo.
Costuma dizer-se que o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário, mas pelos vistos nas cabeças iluminadas dos (ir)responsáveis pelo sistema de ensino público português também é possível alcançar êxito sem ter o mínimo de mérito. É urgente melhorar os níveis de qualificação e ter um melhor ensino para o País ter uma economia mais competitiva e mais produtiva.
Mas em vez de melhorar o nível do ensino, as escolas parecem só estar preocupadas com as estatísticas. Se a maior parte dos alunos não sabe, o melhor é disfarçar e dar positiva. Obviamente os alunos medianos passam a ter notas excelentes. Como é possível que estes alunos mal educados no facilitismo, na falta de rigor, sem qualquer espírito de sacrifício, tenham depois bons resultados no mundo real de uma economia globalizada. Por este caminho ainda vamos invejar o sistema escolar de Marrocos. Não é com embustes que Portugal pode atingir o nível de vida dos países mais ricos da Europa: é com inovação, trabalho e excelência e isso é impossível obter se esses requisitos não forem ensinados e exigidos na escola. Conheço alguns professores excelentes e dedicados. Certamente haverá milhares deles. Eles também são vítimas deste sistema iníquo.
Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto

13 novembro, 2007

Coerência????.....


Só para completar o ramalhete, o premiado é também isto aqui isto
ou ainda aqui.

Prémio Nacional do Professor para docente de Aveiro


Galardão, atribuído pela primeira vez, distingue Arsélio de Almeida Martins


Arsélio de Almeida Martins, professor de Matemática na escola secundária José Estêvão, em Aveiro, recebeu hoje o Prémio Nacional do Professor, um galardão atribuído pela primeira vez para distinguir "aqueles que contribuem de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".
O júri considerou o docente como "um exemplo de cidadania e um mestre no verdadeiro sentido do termo".
Membro da Sociedade Portuguesa de Matemática, da sua congénere europeia e da associação de professores da disciplina, Arsélio Martins foi também formador de docentes, tendo participado na revisão dos programas de Matemática, desde 1995.
Ao longo dos 35 anos de carreira, que incluiu passagens por São Tomé e Príncipe e Cabo Verde enquanto professor-cooperador, o docente distinguiu-se ainda, na década de 1980, como dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro, sendo actualmente activista do Sindicato dos Professores do Norte.
"Penso que sou um professor comum. O que me diferencia é sobretudo a participação cívica de que nunca abdiquei", declarou aos jornalistas.
“O reconhecimento do país é muito importante para a valorização do mérito e da excelência no ensino. É importante para que na memória dos portugueses se fixe uma galeria de figuras exemplares na educação que alimente o nosso orgulho colectivo, como acontece na literatura, no desporto, na música, na ciência e em muitos outros domínios", salientou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
Carreira, Integração e Inovação
Lançado no ano passado pelo Governo, o Prémio Nacional do Professor tem o valor de 25 mil euros, tendo sido analisadas pelo júri 35 candidaturas.
O Executivo lançou ainda outras quatro distinções de Mérito (Carreira, Integração, Inovação e Liderança), às quais concorreram mais 30 docentes.
Teresa Pinto de Almeida, professora de Inglês na secundária Carolina Michaelis, no Porto, venceu o prémio Carreira; Ana Paula Canha, docente de Biologia na secundária de Odemira, foi distinguida com o Prémio Inovação e Armandina Soares, presidente do conselho executivo da escola do 2º e 3º ciclos de Vialonga, recebeu o Prémio Liderança.
Por unanimidade, o júri decidiu não atribuir o prémio Integração, que tinha como objectivo distinguir professores que dessem particular atenção às necessidades educativas de "alunos com ritmos e estilos diversos de aprendizagem ou de diversas culturas".

11 novembro, 2007

Mais um que já percebeu o que se passa....

Mais um que já percebeu o que se passa.... no reino da educação. Ainda bem. Ainda bem porque assim já não são sempre os mesmos a clamar no deserto. Pode ser também que, por esta via, as vozes cheguem a quem de direito. É bom que a dita sociedade civil (como detesto esta expressão estúpida) comece a mexer, a chamar os bois pelos nomes e faça também ela algo de útil pelo seu futuro...
Fica o texto....


É mau de mais para ser verdade
Francisco José Viegas, Escritor

Acho que está a fazer-se uma grande tempestade num copo de água a propósito do Estatuto do Aluno e da subsequente trapalhada que foi a votação do diploma no Parlamento. Na verdade, já estava previsto que tudo isto acontecesse. Os ministros da Educação, depois de resolverem os assuntos prementes da matéria administrativa da sua casa, raramente conseguem alterar o essencial; e o essencial é a qualidade do ensino; e combater pela qualidade do ensino é lutar pela elevação do grau de exigência e de rigor em todos os graus de frequência escolar. Os professores e os sindicatos estão fora dos corredores da 5 de Outubro, e acaba por ser fácil penalizar e humilhar professores. Já os pedagogos, os ideólogos do edifício escolar e os teóricos que se têm encarregado de embrulhar o suistema de ensino, esses, estão instalados no ministério. Todos os conhecemos. Têm, antes de mais, um discurso muito próprio, cheio de metáforas e de ditirambos que nunca se referem a coisas práticas, que dificilmente estão relacionados com a escola e as suas dificuldades em existir e que, no fundo, vivem de experiências pedagógicas e vagamente científicas.
Maria de Lurdes Rodrigues encontrou o caminho facilitado; tratou de introduzir alguma racionalidade na administração escolar e na vida dos sindicatos, na "operacionalidade" e no mapa escolar. Mas, quando se esperava que essa coragem fosse transposta para a área fundamental, que é o ensino propriamente dito, entrámos no mundo do puro delírio.
Com as críticas ao processo de avaliação de professores a avolumar-se, aconteceu a polémica da TLEBS, terminologia linguística para o Básico e o Secundário. Depois de demonstrados os erros científicos metodológicos de grande parte da sua formulação, o ministério dividiu-se; um secretário de Estado prometeu (e comprometeu-se) suspender a TLEBS; um director-geral reconheceu erros mas defendeu que o ministério devia continuar a dá-los e a ampliá-los. Vendo bem como as coisas estão, verifica-se que continua tudo igual e que a política do ministério continua a aprofundar o ruinoso caminho aberto pelos delírios ideológicos que transformaram o ensino do Português numa banalidade e que vandalizaram o ensino da Matemática. Geralmente, o ministério acha que está munido de excelentes ideias. Um grupo cada vez mais numeroso (porque se acumulam as suas assinaturas ao longo dos anos) de técnicos e burocratas dessa ideologia passa incólume no meio da asneira. Eles acham que estão munidos de excelentes ideias. Mas, mesmo depois de se ter provado que essas ideias dão péssimos resultados, aqui ou no estrangeiro, mesmo depois de terem recebido críticas demolidoras, tudo continua na mesma, ou pior.
O ensino - nomeadamente a ideologia que está por detrás de todas as decisões do ministério em matéria pedagógica e científica - está entregue a esse monstro corporativo que supõe ter toda a verdade do seu lado. O estatuto do aluno e o seu regime de faltas é apenas mais um episódio lamentável a acrescentar a tantos outros.
É, geralmente, gente que não conhece a escola real, que não tem contacto com o dia-a-dia das escolas, que imagina os professores como meros instrumentos ao seu dispor para as experiências mais descabidas. As vítimas dessas experiências descabidas são os nossos filhos - e é o seu futuro. Por isso, o sinal dado pelo Ministério é definitivamente mau e constitui um erro grave, desculpabilizando os alunos faltosos, penalizando os alunos cumpridores e sobrecarregando os professores e as escolas com outra categoria de "desprotegidos" os que, deliberadamente, faltam às aulas. Tudo para adulterar e manipular as estatísticas, o que é grave demais.

09 novembro, 2007

A JUSTIÇA CRIMINOSA

Chegou-me à mão via e-mail.
Parece-me ser um texto para ler, reflectir e guardar.
E actualizar daqui por uns anos...
E recordar para ver no que isto tudo deu...
Aquilo que já sabíamos de antemão - NADA

A JUSTIÇA CRIMINOSA
Por CLARA FERREIRA ALVES

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, pontofinal, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluirnada.Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco SáCarneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente sepassou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porqueintimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos semsaber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso daUniversidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Bragaparques ao grande empresário Bibi, das queixastardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamentepunidos? Vale e Azevedo pagou por todos. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar oscustos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Quem se lembra dos doentesinfectados por acidente e negligência com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro ecuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu?
E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavamprostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceuimensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle dosenhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusavam, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.

06 novembro, 2007

Por muito bons que sejam...

Por muito bons que sejam parece-me que ganham demasiado. Obscenamente demasiado....
Mais de 204000 euros por mês (admitindo 14 meses) é um verdadeiro atentado à moral neste país. Neste país de constantes dificuldades económicas. Este dinheiro vem muito naturalmente dos lucros enormes que a banca usufrui. E para os usufruir sobrecarrega todos: indivíduos e empresas. É um insulto a quantos labutam dia a dia em condições quantas vezes complicadas. É um valor que muitos, mas mesmo muitos, nunca conseguirão ganhar numa vida inteira de trabalho. Talvez fosse interessante se o governo se virasse agora para este lado com muito mais interesse que o manifestado até agora. Haja decoro...
Hoje no Jornal de Negócios
Fusão obriga administradores do BCP a abdicar de 70% do salário
Os oito administradores executivos do BCP poderão ser obrigados a abdicar de 70% do salário, caso aceitem a fusão proposta pelo BPI. Em média, cada administrador terá de abdicar de cerca de 2 milhões de euros por ano.

05 novembro, 2007

Carta Aberta

Recebida por e-mail e para ser divulgada por todo o lado.
Merece.

Ílhavo, 22 de Outubro de 2007

Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência:

Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: “Talvez V. Excia não saiba bem quanto!”

1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a “má-fé”) do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).
A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.

2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: ”Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!”

3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer “Olha-me este!” e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.

4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: “Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?”
Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas “Entram, sentam-se e calam-se!”
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como “obrigado”, “por favor” e “desculpe” e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente “Mas o que é que este quer agora?” e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno “não está na sala”, está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem “esquecidas” em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: “Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!” mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!

5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para “tirar o 9º ano”.
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!

7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, “enfrentar”, já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender “dói”! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.

Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira…

Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo…


Atenciosamente



Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
Rua José António Vidal, nº 25 C
3830 - 203 ÍLHAVO
Tel. 234 185 375 / 93 847 11 04
E-mail: dfcardos@gmail.com

03 novembro, 2007

DEIXEM OS PROFESSORES EM PAZ

Maria Filomena Mónica deixou um naco de prosa no Público de há uns dias. Leiam e aproveitem.
E quando isto foi escrito não tinha saltado cá para fora a miséria do estatuto do aluno.

«Não conheço muitos professores do ensino básico e secundário, mas o contacto que, ao longo dos anos, venho mantendo com alguns e o facto de ter netos a frequentar a escolaridade obrigatória permite-me ter uma ideia mínima do que se passa nas escolas. Aliás, se não me posso pronunciar com mais profundidade sobre estes graus de ensino não é responsabilidade minha, mas das leis que o Ministério da Educação promulga.

Há quatro ou cinco anos, ofereci-me para, durante um ano lectivo, leccionar História em qualquer grau de ensino não superior, coisa que um jurista do ministério me explicou ser impossível, por ter "habilitações a mais". O meu plano era analisar o ambiente de uma escola da periferia de Lisboa com o objectivo de, no final do ano, escrever um livro. Pelos vistos, faltava-me percorrer o calvário a que estes docentes são sujeitos.

É fácil deitar a culpa dos males do ensino para cima dos professores. No sossego do lar, eu própria já o fiz, mas as coisas chegaram a um ponto que o ataque a esta classe, especialmente se vindo do ministério, é indecoroso. Para se ser bom docente, são precisas três coisas: uma sólida preparação de base, prestígio junto da comunidade e autonomia de acção. A isto pode juntar-se a paixão pelo que se lecciona, um ideal que nem todos podem atingir. Ora que vemos? O Estado prepara mal os docentes (obrigando-os a frequentar cursos mal estruturados e estágios baseados em cursos recheados de jargão inútil), mina o seu status profissional e pretende regulamentar tudo o que se passa na sala de aula. Não estou a falar do curricula, que, esse sim, compete ao poder central elaborar, mas das centenas de despachos normativos, regulamentos e grelhas que atulham as caixas de correio das escolas. Depois de lhes ter dado uma educação deficiente, de ter transformado a sua carreira num pesadelo, de lhes ter retirado a possibilidade de inovar, o Estado dá-se ao luxo de os olhar com desconfiança.

Estou consciente de que, como em todas as profissões, há ovelhas ranhosas dentro da classe. Mas este problema só pode ser resolvido por uma direcção escolar composta de forma diferente e por um sistema de ensino mais flexível do que aquele que existe. Para mal dos nossos pecados, nenhum governo teve coragem para alterar o esquema de organização das escolas, muito menos para deitar abaixo o bloco monolítico que para aí anda a cambalear. Um director empenhado fará sempre a diferença. Tendo começado bem, a actual ministra derrapou e o primeiro-ministro lembrou-se de usar o velho truque de tentar isolar o sindicato das suas bases. Jamais defendi actuar este de forma imaculada - considero até que a maior parte das suas ideias é errada -, mas a degradação do ensino não é fundamentalmente culpa sua, uma vez que o sindicato só interfere porque o poder o deixa. Finalmente, a aparição, no dia 8 de Outubro, de polícias à civil na sede do sindicato na Covilhã, de onde levaram documentos relativos a uma anunciada manifestação contra o engenheiro Sócrates é inadmissível. Só um país apático aceita as conclusões idiotas que, após um chamado "inquérito", o Governo tornou públicas.

Deixo de lado as paranóias do primeiro-ministro para me centrar no tema deste artigo. Para além de terem de leccionar programas imbecis, de passarem a vida a girar de uma escola para outra, de serem sujeitos a avaliações surrealistas, os professores são obrigados a aturar alunos malcriados. Há tempos, um professor contou-me ter sido agredido por um aluno de 17 anos, tendo-me em seguida explicado que decidira não responder à letra ao matulão, porque isso implicaria um processo disciplinar contra ele, docente, e não contra o aluno. Mas não é apenas a violência, mas a apatia que mina a escola. Recordam-se daquela reportagem da RTP1, em que se via uma turma onde, farta de ouvir a lição, uma miúda se punha a varrer o chão? É com isto que, dia após dia, após dia, muitos docentes se defrontam.

Há 30 anos, quando os meus filhos entraram para o ciclo preparatório (actuais 5.º e 6.º anos), numa escola pública (a Manuel da Maia), ao lado do Casal Ventoso, quase todos os alunos pertenciam à burguesia. O ambiente que ali se respirava reflectia a cultura que as crianças traziam de casa: mesmo quando não livresco, o ethos era hierárquico. Com a evolução da sociedade portuguesa - e não o devemos lamentar - tudo isto mudou. Muitos dos alunos provêm agora de meios sócio-económicos baixos e são fruto de gerações de analfabetos. É com crianças educadas à base de telenovelas e de "saberes" aprendidos na rua que os professores têm de lidar. Como se isto não bastasse, a escola é forçada a desempenhar funções que, em princípio, lhe não competiria, tais como cuidar de miúdas que engravidam aos 13 anos e de rapazes que consomem drogas.
Não quero pensar no que é a vida de uma jovem, com filhos pequenos, que diariamente tem de fazer quilómetros, a fim de chegar ao estabelecimento escolar para o qual foi "destacada" - só o termo me horroriza! -, onde é obrigada a enfrentar crianças para quem o ensino é uma maçada. Em geral, sou pouco condescendente com as "baixas" justificadas por atestados que confirmam doenças psíquicas, mas, no caso dos professores, tenho de abrir uma excepção. Só no último mês, deparei-me com duas professoras que se tinham ido abaixo. Nenhuma ensinava, repare-se, em zonas socialmente turbulentas: uma leccionava numa aldeia perto de Viseu, a outra em Évora. O que as afectara fora a ausência de independência dentro da sala de aula: ambas se sentiam marionetes numa peça que não tinham escrito. Sem programas bem feitos, sem manuais decentes, sem incentivos para se actualizarem, a vida dos professores transformou-se num inferno.»

31 outubro, 2007

Não resisto a esta....

A "estória":
De um post mais ou menos inocente no "educação do meu umbigo" do caro Paulo Guinote, saiu uma pequena série de comentários (que de seguida se transcrevem). Que há coisas com graça, lá isso há (para além das bruxas, claro!).
Ao Paulo Guinote e comentador h5n1: as minhas desculpas pelo uso dos vossos comentários. É por uma boa causa!!!


h5n1 Diz: Outubro 31, 2007 at 12:14 pm
E porque hoje é o dia das bruxas:
1. Começou nos Açores o julgamento da mulher acusada de uma uma burla de mais de 6 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos açoriana. Débora Raposo enfrenta o tribunal quase uma década depois dos crimes e ao fim de vários anos em fuga.Durante os últimos sete anos, Débora Raposo viveu no Canadá fugida às autoridades, que a acusam de uma burla de 6 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos.
Débora Raposo vai responder pelos crimes de associação criminosa, burla qualificada e falsificação de documentos.
Durante os anos de 95 e 96 uma linha de crédito financiou a mulher e os seus assessores e colaboradores em viagens e estadias em hotéis de luxo.
A rede, que se dedicava entre outros negócios à lavagem de capitais, pretendia avançar com um colégio internacional a ser construído no Funchal, mas o projecto acabou por fracassar quando a burla começou a ser investigada.
RICARDO RODRIGUES, o actual vice-presidente do grupo parlamentar do PS e antigo advogado de Débora Raposo, é agora testemunha no julgamento depois de ter sido arguido e ter visto os seus autos arquivados.
Apesar da Polícia Judiciária ter referenciado o envolvimento de Débora Raposo com redes internacionais de lavagem de dinheiro, a investigação não foi alargada para fora do país.
2. O semanário O Diabo, afirma hoje na primeira página que “está em condições de afirmar que o “pai afectivo” do acrescento ao nº 3 do artº 30º do Código Penal, que viabiliza a atenuação de pena no caso de abusos sexuais reiterados contra a mesma vítima, é o deputado socialista açoriano RICARDO RODRIGUES, embora este atribua a paternidade à Unidade de Missão criada pelo governo para redigir o CP.” Rui Pereira já negou a paternidade…
Somando 1. mais 2. o que é que obtemos ???

Paulo Guinote Diz: Outubro 31, 2007 at 1:59 pm
Já agora, um exercício de memória, meu caro H5N1: lembra-se quando e porquê esse específico deputado veio de lá para cá? Some lá o 3 que falta…

h5n1 Diz: Outubro 31, 2007 at 2:13 pm
…e vão 3.:
“O ex-secretário da Agricultura e Pescas dos Açores, RICARDO RODRIGUES, apresentou o pedido de suspensão do mandato de deputado à Assembleia Legislativa Regional, anunciou hoje fonte parlamentar.
Segundo a mesma fonte, o ex-governante, que segunda-feira se demitiu do cargo alegando uma «onda de boatos» que o relacionavam com um processo de ABUSO SEXUAL DE MENORES, foi eleito pelas listas do PS/Açores nas regionais de 2000 pelo círculo eleitoral de São Miguel”. (10.12.2003)
Ele há coisas fantásticas não há?

A escola que temos

Do Público e sem link disponível sai este artigo. Vindo de onde vem (Helena Matos) dá para pensar! É óbvio que isto não se aplica aos deputados, particularmente os socialistas!

"Em que escola estavas quando foi o 25 de Abril? Em que escola estão os teus filhos?"
À célebre pergunta "Onde é que estavas no 25 de Abril?" é imperioso que se juntem agora estas duas interrogações. Experimente-se por exemplo fazer estas perguntas aos ministros, deputados, autarcas, assessores, artistas, professores... e descobrir-se-á que a maior parte deles frequentou o ensino público, mas optou pelo ensino privado na hora de inscrever os seus filhos e netos na escola. Não porque os seus filhos sejam mais ou menos inteligentes, mas simplesmente porque têm medo que a falta de exigência os embruteça.Duvido que alguns destes hipotéticos inquiridos o assumisse claramente. Dariam como justificação os horários, os amigos, às vezes até os piolhos, mas o que dificilmente diriam é que o fazem porque não acreditam na qualidade do ensino público. Muitos provavelmente serão oficialmente a favor do Estatuto do Aluno, tal como foram da afectação de tempos lectivos a "coisas" como a Área de Projecto ou da desautorização dos professores e funcionários. Na prática isso não os afecta, porque os seus filhos e os seus netos estão a salvo destes desmandos. O falhanço do ensino público em Portugal tornou-se uma ratoeira contra os mais pobres: pobreza e o insucesso escolar tornaram-se sinónimos. E assim continuaremos, para que ninguém preste contas por aquilo que começou por ser um erro e se está a transformar num crime.
Ao contrário do que se tornou quase banal dizer, não foi a massificação do ensino público que comprometeu a sua qualidade. Os responsáveis por aquilo que os rankings cruamente espelham foram aqueles que fizeram da escola pública um espaço de experiências sociológicas. Passamos a vida a discutir os programas, mas um mau programa ainda é um programa.
O pior foi baixar em cada ano lectivo o nível de exigência. Primeiro, porque era mais moderno. Depois, porque assim não se faziam distinções entre mais e menos inteligentes. Depois, porque o objectivo da escola não era ensinar conteúdos, mas sim ensinar a relacionar-se. Depois, porque já não podia ser de outro modo.
Os filhos dos pobres não são nem mais nem menos inteligentes que os filhos dos ricos. Tiveram sim o azar de os seus pais não ganharem o suficiente para os poupar a esse papel de cobaias de teorias que tanto vêem na ignorância o estado supremo da perfeição igualitária, como entendem que aprender tem de ser divertido e fácil.
Nada disto afecta quem legisla, porque os seus filhos não estão nas escolas públicas ou quando estão souberam souberam contornar o crivo das moradas e horários, de modo a frequentarem as turmas ditas "dos filhos dos professores". Quem não pode fugir das más escolas é quem não tem dinheiro nem conhecimentos.
Alguns como Francisco Louçã querem agora diabolizar os rankings, vislumbrando apoios da extrema-direita aos colégios que se encontram nos primeiros lugares. Engana-se redondamente. Quem fez a fortuna recente das escolas de maristas, jesuítas e da Opus Dei, dos colégios franceses, ingleses e modernos, sem esquecer as escolas alemãs e americanas, foram precisamente aqueles -às vezes de esquerda mas nem sempre - que resolveram que a escola pública não era o local onde todos tinham igual oportunidade de aprender, mas sim o espaço onde a irrelevância medíocre dos resultados provaria que todos podemos ser igualmente ignorantes e irresponsáveis.

27 outubro, 2007

Mais uma "pilhada"

Sinceramente estou numa de "pilhanço". Ando carregado de trabalho e com pouca vontade de escrever. Mas não perdi o apetite de ler. Às vezes leio em diagonal, outras fica-me algo que me chama a atenção. Por isso palmei este texto aqui abaixo, que deve ser conhecido. Mas acrescento também um comentário-resposta do mesmo autor, que ainda mais é elucidativo. Fiquem com eles, e meditem:
Na Conferência “A Ciência Terá Limites?” que começou ontem na Gulbenkian, Steiner afirmou que a Europa está em tão mau estado que ninguém pode estar optimista. O ensaísta, e professor em Cambridge, considera que outras civilizações irão ocupar o seu lugar. E que as igrejas vazias são um símbolo do fim do cristianismo clássico numa Europa que enfrenta, hoje, uma grande crise de esperança.«Desde a revolução francesa que a esperança tem estado sempre à esquerda. Mas hoje não há mais esquerda na Europa. O que os jovens vão querer? Vão querer dinheiro! A Europa actualmente é o cheiro do dinheiro, que é tão sufocante e pode vir a ser um grande Macau ou uma explosão enorme», afirma.
A crise na cultura, por outro lado, levará a uma crise na ciência.«A seguir à religião algo virá, porque as pessoas têm dificuldade em viver na solidão, mas o que me assusta é que deste vazio saia o que é ´kitch`, ou o futebol», que considerou a actual grande religião.«Maradona substituiu Pascal», referiu.
Com esta crise, disse Steiner, «não haverá mais Platões, nem mais Mozarts ou Bachs na Europa».«Eles vão aparecer na Índia ou noutros locais do planeta, mas não na Europa. É a vez deles», considerou.
«Vou dizer uma coisa que vai deixar zangada muita gente: uma civilização que mata os seus judeus não recupera», disse ainda Steiner.
Para o ensaísta, a chave para combater este quadro em que «a irracionalidade, a astrologia, o lixo 'new age' estão a flutuar nas nossas vidas», é o Ensino. «Até a nossa sociedade mudar e apoiar os professores, nada de bom acontecerá», salientou.
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"Eu entendo o que aqui escreveste e discordo. E discordo não por inveja dos que têm. Tenho uma situação económica desafogada e como quadro de empresa fiz uma carreira satisfatória.
Até fui membro de um partido de direita. Isto é para que percebas que compreendo o que dizes e que não é a frustração que vai ditar o que a seguir vou dizer.
Não acredito no modelo neo-liberal nem numa globalização auto-reguladora. Também não acredito na face humanista de um monstro que se alimenta do sangue da miséria e do sofrimento alheio. E também não acredito que haja paz e felicidade quando pretendemos edificar uma fortaleza armada no meio de pessoas que não têm o básico para viverem.
Lutei muito comigo própria durante muito tempo. Mas agora, ainda que em convalesvença, vejo claramente que o caminho nunca poderá ser por aí. E sinto-me em paz por assumir isso. Tu justificas-te muito porque dentro de ti próprio, e és um homem inteligente, tens muitas interrogações.
Não tenhas.
Não há que ter medo."
Esquecia-me de dizer. A vítima do "pilhanço" desta vez foi "O Silêncio Culpado"

23 outubro, 2007

Os nossos velhos preferem morrer

Fui "roubar" este texto ao Baptista Bastos. É demasiado bom para passar despercebido.
O Rádio Clube Português deu-me a notícia, logo de manhã: o “socialismo moderno” prepara-se para “actualizar” as regras da lei das manifestações. Ia compor a frase com um melancólico advérbio de modo, e um fatigado adjectivo: “Fui tristemente surpreendido” – porém, já nada me surpreende (embora tudo me entristeça) nas decisões tomadas por José Sócrates.
É um pesado fadário que temos de cumprir. Caímos numa armadilha tenebrosa e fomos enganados com ardis, aldrabices e artimanhas.
Devemo-nos perguntar, e exigir que Sócrates se pergunte, quais as razões pelas quais quarenta e sete por cento dos velhos portugueses aceitam como boa a eutanásia? Porque o Governo os despreza, espezinha, explora, humilha, vexa – não lhes acode, não os protege, não os defende, não os agasalha, não os ama.
Herborizados pelo mais assombroso e eficaz dispositivo propagandístico de que me recordo, os portugueses vivem em astenia moral, social e ideológica. Parecem indiferentes à evidência de que este Governo está contra eles: está contra nós. O “socialismo moderno” vai criar novos impostos aos reformados; vai aumentar os combustíveis (e, decorrentemente, tudo o que lhe procede, de bens imprescindíveis); fez crescer o desemprego; encerrou centros de saúde, maternidades e postos de atendimento imediato. Deu às taxas moderadoras a configuração da pornografia política, ao aumentá-las escandalosamente. Sob a obscena e abstrusa afirmação de que há “escolas que não dão rendimento social”, porque têm menos de dez alunos, encerrou centenas delas.
O rol de malfeitorias é infindável. Resoluções marcadamente antisociais explicam o número de portugueses pobres: mais de dois milhões=mais de um quinto da população. Porém, cerca de meio milhão sobrevive nos níveis da miséria. Não se sabe ao certo a percentagem, em todo o País, de portugueses sem-abrigo. O número de jovens licenciados sem emprego nem perspectivas de futuro acresce na pauta de todos os desesperos. As privatizações previstas não resolvem os problemas nacionais, no-lo ensinam economistas prestigiados, como o prof. Medina Carreira, cuja intervenção na vida pública devia ser mais assídua, pelo seu destemor cívico e pela sua excepcional qualidade pedagógica.
Por outro lado, a criação de mais “empresas hospitalares”, rude eufemismo que mascara o fácies do “privado”, não diminui as despesas com o pessoal. Depois, aqui e além, continuam as reformas sumptuosas e os vencimentos ultrajantes de “gestores”, que passam de “especialistas” de televisão a peritos em fábricas de parafusos e destas para companhias de produtos farmacêuticos, a seguir para as oleaginosas.
Assisti, na América Latina, anos de 60, a vergonhas semelhantes. No Brasil, então, o despudor chegou a horizontes tão agressivos que a radicalização foi a solução encontrada pelos desesperados. Percorri, na época, parte substancial da imensa nação. Encontrei-me, clandestinamente, com grandes resistentes, que se opunham à guerrilha urbana. Não a admitiam nem justificavam, mas tentavam explicar-me a natureza profunda da cólera popular. A Igreja vaticana, com excepção de Dom Hélder Câmara e poucos mais bispos, remetia-se ao tradicional silêncio da cumplicidade. Os padres partidários da Teologia da Libertação eram ferozmente perseguidos pela hierarquia católica e pelos militares. Parte da Imprensa, nas mãos de senhores poderosos e oligarcas, foi conivente. Até que.
Viajo, com frequência, por Portugal. Possuo adequada informação do que se passa. Quando posso, e assim que posso, ergo a voz do meu protesto. O famigerado défice tem servido de pretexto para esta furiosa avançada. Um comentador de voz grossa e módica meninge discorria, há dias, acerca do “alívio” que o Governo estava a sentir. E blá-blá-blá sobre exportações, “factores exógenos”, “cepa torta” – trapalhadas sem direcção nem sentido. Como acentuou, meses atrás, o prof. Medina Carreira, a luta contra o défice devia envolver toda a gente, e não os mais desprotegidos. Eis a questão.
Vivemos sob o império da mentira, da dissimulação e do embuste. Nada nos é claramente dito. A informação é escassa. Tornou-se acto institucional o facto de o Executivo fazer e só depois dizer. O clima de medo, de intimidação, de represália instalou-se na sociedade portuguesa de uma forma larvar. Não se ressalva os direitos adquiridos pelas massas trabalhadoras. Aniquila-se as actividades sindicais. A ofensiva “mediática” contra Paulo Sucena, o grande dirigente da Fenprof, desceu a patamares absolutamente sórdidos. O actual, está sob o fogo de “comentadores” sem beira nem beiral. Carvalho da Silva, cuja dimensão intelectual e sindical não sofre comparação com nenhum outro, tem sido, amiúde, objecto de insídias – sobretudo quando a contestação social chega ao rubro.
Estamos numa situação perturbadora. E não se trata, somente, do País, o que, de si, já seria alarmante, mas, também, dos tratos de polé que José Sócrates aplicou à ideia socialista. Guterres, defensor do “socialismo católico”, coisa risível, escancarara as portas à Direita, proporcionando o descalabro de Durão Barroso e o intermezzo cómico protagonizado por Santana Lopes – agora, malamente de novo, em posição de relevo político. Sócrates, com a “modernidade socialista”, procedeu ao trabalho sujo que a Direita se envergonhava de fazer. O caminho está aberto. Quem nos acode?
APOSTILA – Helena Sacadura Cabral, numa estupenda crónica publicada no diário gratuito “Meia Hora”, escreve sobre a tributação das pensões de reforma, com notável clareza, o seguinte: “Para além do duvidoso critério quantitativo, o senhor ministro esquece que a reforma é algo que se foi constituindo ao longo de uma vida e portanto não pode e não deve ser tratada como um rendimento de trabalho. Esquece, ainda, que a mobilidade profissional de uma pessoa de 70 anos é substancialmente menor do que a daqueles que, ganhando o mesmo, têm 45. Para não falar, já, das necessidades de saúde acrescidas que, nessa altura da existência, os mais velhos terão, com certeza, de enfrentar. Tanto o nosso PM como o dr. Teixeira Santos são jovens. ‘Apenas’ têm o cabelo branco. Mas um dia virá em que outros sintomas surgirão. A vantagem de ambos, e a minha, é que a nossa pensão de reforma será sempre ‘suficiente’ para pagar as maleitas da idade. O problema está naqueles que, ao longo da sua vida, nunca tiveram mais do que o suficiente para pagar o pão de cada dia”.

E se fossem dar banho ao cão?

Esta não lembra ao diabo!
É mesmo encomendado para qualquer coisa!
Como ex-fumador recuso-me determinantemente a aceitar qualquer validade científica deste estudo. Ainda por cima com o título:
"Fumo do tabaco é o principal poluidor do ar na Europa, indica um estudo"

E logo a seguir, vê-se o que pretendem:

"O fumo do tabaco é a principal causa de poluição do ar na Europa, conclui um estudo europeu que mediu níveis de monóxido de carbono (CO) em fumadores e não fumadores e que defende políticas anti-tabágicas mais restritivas."

É mesmo para gozar com o pessoal. E depois as conclusões! Senhores, que conclusões!

"o fumo do tabaco é, claramente, a principal causa de poluição sobre os cidadãos europeus e os fumadores as primeiras vítimas desta poluição por CO".

Os automóveis poluem 0 (zero), os aviões idem, as fábricas idem, aspas, os incêndios e as queimadas idem, aspas, aspas. Só os fumadores... senhores, tenham mas é juízo nessas cabecinhas ocas....

E os jornais deviam abster-se de publicitar estas ridicularias...
É que os nossos políticos são suficientemente ignorantes para acreditarem em notícias destas...

10 outubro, 2007

Mobilidade especial

Depois de um pouco mais de uma semanita de férias forçadas que contaram com a prestimosa colaboração da cabovisão, eis de volta, qual fénix, o reino da macacada.
E a nova não é propriamente nova! Já em tempos se aventara a hipótese de os professores com doenças incapacitantes integrarem o regime de mobilidade especial da função pública. Na altura falou-se num número na casa dos 2500 docentes.
Que não!!! jurou a pés juntos a "santa ministra da educação" no nosso não menos sacrosssanto paralamento!
Mas, afinal, havia mesmo fogo. Não era só fumaça.
Ele aí está, o dito cujo e famigerado projecto de lançar fora do sistema 2500 docentes, agora futuros candidatos a ex-docentes. Os objectos traçados por este governo de deitar borda fora até 2009 cerca de 75 000 funcionários públicos conhece aqui um belissimo empurrão, a juntar aos 1000 e poucos do Ministério da agricultura.
E não é por nada, mas deixem os rapazes que nos desgovernam abandonar o "governo" da UE, que certamente virá grande borrasca para a função pública no ano de 2008.
Para já jornais e jornalistas vão andar entretidos com o orçamento para 2008. Já se sabe alguma coisa sobre o IRS - redução de benefícios para deficientes, redução das deduções na saúde ... sempre a cortar....
E o que mais se verá.....

27 setembro, 2007

Eu não acredito que há bruxas, mas que as há... há

De acordo com este organismo não governamental a coisa está a complicar-se. Devem ser efeitos secundários do $IMPLEX...
A publicação do novo código do processo penal vem dificultar ainda mais o combate à corrupção. Sabe-se que é um crime de difícil prova, que exige uma longa, aturada e porfiada investigação, meios e tempo. Algo que o novo cófdigo não concede.
Mas isto da corrupção é uma coisa que toda a gente sabe, e comenta à boca pequena. E todos nós cometemos o nosso pequenino acto de corrupção num qualquer momento da nossa vida.
Está na massa do sangue latino. E infelizmente, da mesma forma como se perdoa essa pequenina corrupção, alarga-se o perdão aos grandes casos envolvendo gente graúda...
"Oh mores...."



Corrupção aumenta no Estado português
Função pública e políticos menos transparentes, indica um estudo internacional Portugal está no grupo dos 30 países menos corruptos, mas caiu duas posições e está agora mais distante dos países mais transparentes. A Transparency International é uma prestigiada organização não governamental que avalia o nível de corrupção nas administrações públicas.
SIC


O último relatório inclui 180 países, no caso de Portugal conclui-se que a corrupção na administração do Estado está a aumentar. Numa lista de 180 nações, o Estado português é o 28º menos corrupto, aas Portugal caiu duas posições e está agora a maior distância dos mais transparentes. Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia. Por cá, funcionários públicos e políticos são mais vulneráveis que nos restantes países da Europa Ocidental. Portugal está ao mesmo nível que a Estónia e a Eslovénia. O estudo da Transparency International avalia os abusos dos serviços públicos em benefício de interesses privados através de subornos ou pagamentos irregulares. Analisa também a solidez das políticas anti-corrupção. Aparentemente, em Portugal, os favorecimentos ilícitos estão a aumentar.

17 setembro, 2007

Onde? Onde? Em Portugal?

Contas públicas em ordem, crescimento em cadeia superior à media da Zona Euro, "gestão criteriosa do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", melhor educação, mais apoios às famílias, um sistema justiça mais célere e uma administração moderna amiga dos cidadãos. Foi desta forma que José Sócrates pintou o país "das oportunidades", sábado durante a abertura do fórum Novas Fronteiras.
Bom, das duas uma: ou o homem vive cá e anda enganado, ou está a falar de outras bandas.
Aonde chega a cegueira!! Haja Deus!! Será possível que ele acredite minimamente no que debitou? Será que há gente que acredita piamente nestas atoardas?
De facto,
Isto não é um país, é um sítio mal frequentado!!

O interesse no desmantelamento da Administração Pública

Perante os primeiros números que começam a surgir, ainda que de forma indirecta, da célebre reforma da Administração Pública, fica claro que o grande objectivo desta reforma é tirar do estado (isto é, de todos nós, em última instância) para dar aos privados. Nem que para isso saia mais caro. O Estado não quer é ter despesas com pessoal. Paga, simplesmente, e não bufa.
Esta vem na linha de outras notícias já anteriormente publicadas e que não deixam de ser complicadas de entender. Também das contas do Estado, as despesas com pessoal aumentaram (e não foi pouco)!
Mas como é possível se:
- Não terá havido novas admissões na função pública (ou a haver terão sido na base de 2 saídas e 1 entrada);
- As carreiras estão congeladas há 2 anos e meses, portanto não há progressões;
- Os aumentos anuais têm sido aquilo que não se vê!
- Saem por ano cerca de 20 000 para a aposentação, mais aqueles que o fazem voluntariamente.
Expliquem-me então como pode aumentar a despesa com pessoal!



2007-09-17 - 00:00:00
Função Pública: Sindicato denuncia - Governo aumenta gastos com serviços

Pedro Catarino
O Estado está a dispensar funcionários para adquirir serviços. O Estado está a reduzir o número de funcionários públicos, mas depois adquire os serviços a empresas privadas, acabando por não cumprir o objectivo de reduzir as despesas. O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) fez as contas e concluiu que as despesas com aquisições de serviços aumentaram 19 por cento no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Até Julho último, a despesa com aquisição de serviços atingiu os 387 milhões de euros, segundo o STE que baseou as suas contas nos dados compilados no Boletim de Execução Orçamental e na Conta Geral do Estado. De acordo com a associação sindical, “o contraste vem ao de cima quando o total da despesa corrente primária [sem juros] cresceu 3,9% e os encargos com salários praticamente estabilizaram”, com uma subida de apenas 0,6%.
“Num período em que se deseja economizar gastos públicos, colocando trabalhadores da Administração Pública na mobilidade especial, torna-se chocante a utilização de recursos públicos, provenientes dos impostos dos portugueses, para aumentar a despesa na aquisição de muitos serviços outrora desempenhados por aqueles”, lê-se no comunicado que a organização presidida por Bettencourt Picanço enviou ao Correio da Manhã.
O Boletim de Execução Orçamental mostra que, no primeiro semestre do ano e em termos homólogos, a despesa com a aquisição de serviços aumentou 104,7 por cento no Ministério da Justiça, 42,9% nos Negócios Estrangeiros, 28,8% nas Obras Públicas, 22,7% na Agricultura e 21,8 por cento na Defesa Nacional. Nem o Ministério das Finanças – responsável pela Reforma da Administração Pública – poupou na aquisição de serviços, tendo esta despesa aumentado 9,1 por cento.
O STE estima que os gastos com a aquisição de serviços mantenha a trajectória ascendente durante o resto do ano, o que para a organização não seria necessário se não se colocassem os funcionários em mobilidade. “A generalidade dos trabalhadores da Administração Pública possui as habilitações necessárias para executar essas tarefas e tem pelo menos a mesma competência dos trabalhadores dos serviços privados”, adianta o sindicato.

OUTROS TRABALHOS' LIDERAM

Ao desagregar-se a despesa com aquisição de serviços, a rubrica que maior aumento registou foi a de ‘Outros Trabalhos Especializados’, com um aumento de 75 por cento. O segundo lugar pertence à ‘Assistência Técnica’, com 46,8 por cento, seguido por ‘Outro Serviços’ (37 por cento) e pelo item ‘Estudos, Pareceres, Projectos de Consultadoria’ (24,2 por cento). De acordo com as contas do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, “a despesa prevista para o conjunto das duas rubricas para 2007 em ‘Outros Trabalhos Especializados’ e de ‘Outros Serviços’ tem um peso de um terço do total”.
A estrutura sindical revela que este gasto tem uma importância significativa nos ministérios da Administração Interna, da Defesa Nacional e do Ambiente. Esta não é a primeira vez que os sindicatos da Função Pública alertam para o facto do Estado estar a reduzir o número de funcionários para gastar ainda mais a adquirir os serviços a empresas privadas. A questão tem sido denunciada tanto pelo STE, como pela Frente Comum, mas esta foi a primeira vez que o sindicato fez as contas para apurar quanto se estava realmente a gastar a mais com a contratação de serviços até aqui desempenhados pelos funcionários públicos.

14 setembro, 2007

Uma carta - No lo consientas

No lo consientas
MIGUEL IBÁÑEZ/PROFESOR DE ENSEÑANZA SECUNDARIA

(Carta de un profesor veterano a un profesor joven)



Ya habrás notado que últimamente estamos de moda. Se habla de nosotros a todas horas, pero no por los excelentes resultados de nuestros alumnos ni porque las autoridades educativas hayan decidido que los institutos vuelvan a ser lugares de estudio y de trabajo, no. Desgraciadamente, los resultados de nuestros alumnos son más bien mediocres, y a nuestras autoridades les preocupan más la educación afectivo-sexual, el multiculturalismo y el pacifismo -por citar algunas de sus obsesiones habituales- que la física o la literatura.

Por qué estamos de moda, ya lo sabes. Una sociedad que ha consentido y alentado el desgobierno en las aulas ha descubierto ahora que hay alumnos que maltratan a los profesores, y con la misma mezcla de hipocresía e histeria con la que antes impulsó el tópico del profesor-verdugo impulsa ahora el tópico del profesor-víctima. De pronto hemos cambiado de malo en esta película de la educación, que sigue sin interesarle a nadie. Parece una de aquellas películas de Kung-Fu: el público bosteza cuando nos ponemos serios y sólo mira cuando hay tortas.

Afortunadamente, tú trabajas en Disneylandia. Te lo digo en serio. Cantabria es en general la autonomía de la 'Señorita Pepis', y no iba a dejar de serlo en esto de la educación: aquí la violencia es menor, los conflictos de menos intensidad y los problemas se disuelven en una amable indiferencia tediosa que a mí, por cierto, no me disgusta. Ojalá sigamos así.

Y expreso ese deseo porque ha sido así hasta ahora, pero eso no quiere decir que siga siendo así en el futuro. Que no lo sea depende de nosotros. De ti y de mí, quiero decir. Por eso me he permitido escribir estas líneas, estos consejos de compañero a compañero, sin querer dármelas de experto.

Para empezar, no consientas ninguna falta de respeto. No esperes al insulto, no tienes por qué tener tanta paciencia: las malas contestaciones, las malas caras y los gestos desabridos están fuera de lugar desde el primer día. Házselo saber así a tus alumnos, y si no lo entienden haz que se lo explique algún miembro del equipo directivo. Los compañeros del equipo directivo están para recordarte a ti tus deberes -ser puntual, claro en tus explicaciones, objetivo en tus correcciones, etc.- y a los alumnos los suyos. Cumple tú en primer lugar, por supuesto, pero no hagas el primo: no seas tú el único que cumple.

No consientas que te marginen. Estás dentro de un sistema en el que todo tiende a culpabilizarte, aislarte y marginarte. Directa o indirectamente te dirán que en el fondo la culpa de que los alumnos se porten mal es tuya, porque no has sido lo bastante lúdico ni lo bastante participativo ni lo bastante comunicativo como para motivarlos. A veces fingirán que te dan la razón mientras te sugieren que deberías cambiar de estrategia educativa, ser más cordial, pactar las normas de comportamiento, etc. Pero recuerda que tú eres un profesor, no un animador cultural ni un monitor de tiempo libre. ¿Has preparado tus explicaciones como es debido? ¿Has atendido las dudas de los que sí estudian? ¿Has mandado hacer ejercicios que refuercen tus explicaciones? ¿La materia que has impartido está dentro del programa del curso? Si has respondido afirmativamente a las preguntas anteriores no tienes por qué parecer culpable: no lo eres.

No consientas que te enreden. La jerga pedagógica se basa, como todas las seudociencias, en el manejo de un vocabulario abstruso, para dar la impresión de que el que lo usa está investido de una autoridad esotérica e indiscutible. Pero te aseguro que no hay más ciencia en la pedagogía moderna que en la astrología, y al igual que en la astrología o la ufología no hay en esa engañifa más que falacias, experimentos trucados, subjetividad teñida de supuesta sapiencia y abracadabras. Tú sí eres el dueño de una ciencia concreta, la que tú enseñes, y del sentido común acumulado por muchas generaciones a la hora de educar. Para ser un buen profesor no necesitas más que esas dos cosas.

No consientas que te paralicen. Cuando te ocurra algún incidente sé activo y no te quedes callado, no te hagas el muerto a la espera de que pase el peligro porque con esa actitud lo estás volviendo a provocar. Están los compañeros, para empezar: seguro que más de uno ha tenido los mismos problemas que tú con los mismos alumnos. Habla con ellos, pero no para desfogarte en la sala de profesores sino para tomar juntos la decisión de hacer algo, y verás hasta qué punto la firmeza serena y constante de un grupo puede más que la obstinación de un solo profesor. Reúnete con los compañeros, tomad decisiones concretas y planteadlas en el claustro, formad grupos de apoyo -no de lamentación- y actuad.

Después están los sindicatos. No te rías, no. Yo estoy en uno, y tú deberías estar afiliado a uno si no lo estás, y pagar tu cuota para que puedas exigirle a tu sindicato que te defienda si ha llegado ese momento. Plántate en el sindicato y recuérdales a tus compañeros liberados que no están allí sólo para asuntos de nóminas, traslados y sexenios. Si les hablas de dignidad profesional, orgullo y derechos del profesor tal vez te entiendan mejor de lo que habías pensado.

También están las leyes. Deja de reírte ya y escúchame, por Dios. Ya sé que un garantismo estúpido ha convertido al alumno en el pobre menor indefenso al que hay que proteger del profesor a toda costa, pero en esas leyes también tú tienes derechos, aunque haya que buscarlos con lupa. Que el abogado del sindicato se ponga al microscopio, que algo encontrará. Y tú no te olvides de dar parte por escrito de cualquier falta de respeto, insulto o agresión, así de todo eso habrá quedado constancia cuando lo necesites. También está la opinión pública. Hasta ahora lo normal era que desde el propio centro se hiciera lo posible para ocultar estas cosas, como en las familias decentes cuando el señorito tenía un desliz con la criada. Pero tú no te dejes impresionar por argumentos decimonónicos: el buen nombre de un centro no puede basarse en el disimulo. ¿No te piden a todas horas que seas moderno? Pues sé moderno y denuncia en público, si tu caso ha sido lo bastante grave haz que los medios de comunicación se interesen, y tal vez así consigamos llegar algún día a la segunda fase, esa que sucede a la noticia, la de la reflexión y el análisis.

Sea como sea, no te calles: con tu silencio te perjudicas, me perjudicas a mí y perjudicas a todos tus compañeros.

Y por último, recuerda que en todo esto los menos culpables son los alumnos. Los han dejado solos, abandonados a su impulsividad adolescente sin que nadie se tome la molestia de educarlos, condenados muchos de ellos a vegetar en un sistema educativo que considera injusto y desigual enseñarles un oficio y por eso los han encerrado en las aulas contigo para que les expliques materias que no entienden ni les interesan. Y a ti, que querías ser profesor, te han encargado que los tengas guardados para que no molesten en la calle ni en su casa.

Tú puedes rebelarte con conocimiento de causa, sabes el porqué y el cómo, ellos no. Así que tuya es la responsabilidad de acabar con esto. Como profesor no consientas ninguna falta de respeto. No esperes al insulto, no tienes por qué tener tanta paciencia: las malas contestaciones están fuera de lugar desde el primer día

Depois queixem-se

O que o antigo bastonário da Ordem dos Advogados diz devia, pelo menos, fazer pensar toda a gente. Mas parece que não. Há por aí alguém muito contente com estas trocas e baldrocas na justiça e nos códigos. A coisa está mesmo feita à medida de alguém, que se presumem ser os suspeitos do costume, nestes casos.
É absolutamente indecoroso aquilo que se passa no campo da justiça. A suposta separação de poderes vai toda para as urtigas para não dizer às malvas. E os "comentadeiros" do costume desta vez até parece não terem matéria para opinar. Andam entretidos com o caso Mcann.
Ou então não convém que mexam nisto, senão lá se vai a prebenda....
A mentira pegada que é este desgoverno continua. A factura, pesada, virá lá mais para diante. Nessa altura, se calhar, será tarde demais para protestos....
(A entrevista saiu co Correio da Manhã. Os sublinhados são meus)

António Pires de Lima
Há um senhor sentado no lugar do ministro da Justiça

Sérgio Lemos


Correio da Manhã – Disse recentemente que com a nova Lei de Política Criminal “há-de dominar um Ministério Público instrumentalizado ao serviço do Parlamento”.
António Pires de Lima – Quando a política criminal é definida periodicamente pelo Parlamento, de dois em dois anos, dando orientação ao MP daquilo que tem prevalência sobre outras coisas, obviamente que está a torná-lo um mero instrumento dessa política, quando este deve ser uma entidade isenta para a descoberta da verdade naquilo que entende que deve descobrir a verdade, regendo-se pelo princípio da legalidade.
– Receia que esta Lei acabe por levar à violação do princípio da separação de poderes?
– Vai, de certeza absoluta. Amanhã, quando houver um problema de viagens falsas, em vez de se caminhar para a prescrição – como da outra vez, com o senhor procurador-geral da República (PGR) de então a pedir desculpa ao senhor presidente da Assembleia da República por um seu colaborador ter tido a ousadia de ir lá fazer as notificações – basta que a Assembleia da República diga que um acto não pode ser investigado porque não é oportuno.
– Acha então que esta Lei pode permitir restrições nas investigações que envolvam políticos?
– Se amanhã acontecer isso, não me admiro. Vejo o Parlamento, pela sua maioria, a querer dominar situações do próprio MP.
– Disse que o Governo utilizou “mentiras” para fundamentar a reforma na Justiça.
–Repare só na desconsideração que revela o legislador, não só pelo público mas fundamentalmente por aqueles que trabalham com as leis, como o Código Penal e de Processo Penal: essas disposições legais foram publicadas há dez dias no Diário da República para entrarem em vigor no dia 15. É uma desconsideração por todos nós, praticada por indivíduos que são ignorantes por natureza, como o senhor Presidente da República (PR), que não faz a mínima ideia do que está a fazer. Uma pessoa que assina uma Lei destas, permitindo que entre em vigor 15 dias depois, não faz a mínima ideia. É uma desconsideração do PR, por ignorância, e do primeiro-ministro, por má-fé. O senhor primeiro-ministro tem dado um espectáculo de mentiras e falsidades. Só um indivíduo inábil para o exercício da actividade governativa faz uma coisa destas.
– Mas a situação é prejudicial também para os advogados, que têm estado em silêncio...
– Isso para mim é uma surpresa extraordinária. Como é que é possível não ouvir dos colegas que estão na Ordem uma expressão de desagrado? É impressionante... é de um carneirismo terrível e é uma desconsideração. É por isso que os advogados se têm afastado da Ordem.
– Esperava outra atitude de Cavaco Silva?
– Esperava que o senhor Presidente da República, que tanto quis ser, tivesse uma posição sensata.
– Que apreciação faz do trabalho do dr. Rui Pereira como coordenador da reforma penal?
Sobre o dr. Rui Pereira não falo porque uma pessoa que considera honroso ir para o Tribunal Constitucional (TC) e que, três semanas depois, aceita ser ministro, não tem consciência do que é um tribunal e o respeito que deveria ter pelo tribunal. Transformou o TC numa comissão política constitucional. Não discuto a sua capacidade e competência. Agora gaba-se de que houve poucos incêndios, mas realmente com o tempo que nós temos tido até me admiro que qualquer coisa arda.
"ISTO É O CAMINHO PARA UMA DITADURA"
CM – Qual é a sua opinião sobre as alterações às leis penais?
A.P.L. – Há três coisas que já se nota nos novos códigos: o disparate de pôr em vigor coisas importantes com um curto prazo; o problema do regime prisional – daqui a um ano vamos ver como está o País em termos criminais e veremos se não foi só uma medida economicista que agrada ao senhor primeiro-ministro. Mas ainda há uma terceira coisa que é a mais grave: a desigualdade criada entre determinadas entidades. Se houver um problema de segurança no trabalho que provoque uma situação grave para um trabalhador, a pessoa colectiva pode sofrer uma penalidade. Pelo contrário, se for uma entidade pública nem sequer uma injunção. Admitia que não fosse possível dissolver uma câmara municipal por esse motivo, mas era com certeza possível penalizá-la exemplarmente do ponto de vista material. Isto é um sinal evidente daquilo que tenho vindo a defender, embora as pessoas não acreditem: isto é o caminho para uma ditadura.
"NÃO HÁ MINISTRO DA JUSTIÇA"
CM – Que balanço faz do trabalho do ministro da Justiça, Alberto Costa?
A.P.L. – Não há ministro da Justiça. Há um senhor que está sentado no lugar que é do ministro da Justiça, o que é completamente diferente. A coisa é de tal maneira... Este ano foram alterados o Código Penal, Código de Processo Penal, Código de Processo Civil, Sociedades Comerciais, Notariado, Lei do Arrendamento. Há alguma coisa que justifique uma mudança de princípios, uma alteração desta natureza?! Em Agosto, entre o dia 17 e o dia 24, foi alterado duas vezes o artigo 158 do Código Civil. Alteraram duas vezes o mesmo preceito sobre a constituição de fundações. Porquê? Numa das vezes porque o senhor primeiro-ministro quis ficar com o poder de concessão de personalidade às fundações, que é mais uma coisa que está na mãos dele... As cabeças destes senhores é de tal maneira que nem sequer têm o cuidado de verificar o que é que um fez para que o outro não faça.

12 setembro, 2007

Pensamento

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertolt Brecht (1898-1956)

11 setembro, 2007

Há gente burra, mas este abusa....

É preciso ter muita lata para deitar cá para fora este meio editorial do Diário de Notícias de hoje (11/09/2007). Em primeiro lugar o editorialista nem sequer assina a peça com vergonha de associar o seu nome a este verdadeiro escarro de propaganda socretina a propósito da educação. Dá mesmo a entender que foi um frete prestado a este desgoverno.
O editorial apresentado, pelo menos nesta parte já que a outra não me interessou, é mesmo de sarjeta. Bem dizia o outro.
Manda o rigor jornalistico que antes de se debitar qualquer coisa cá para fora se confirmem e analisem os dados. Mas neste caso não.
O editorialista engoliu inteirinho o enorme chouriço que a propaganda socretina lhe enfiou pela goela abaixo. Nem pestanejou. Foi com tripa e cordel.
Inteirinho.
Ou o editorialista é um socretino acéfalo dos que por aí pululam como cogumelos, candidatos a bufos de meia tijela, ou então em lugar de cérebro tem um monte daquilo que sai pela extremidade oposta. Aquilo que ele escreveu pode resumir-se numa simples frase: diarreia cerebral.

É certo que todo o Homem tem o seu preço, mas há quem se venda por um mísero prato de lentilhas.


O novo ano escolar arranca oficialmente amanhã. Nos últimos dois anos, é preciso dizê-lo, o actual Governo procedeu a uma verdadeira revolução nesse ninho de interesses que é a educação. E, mesmo sem o optimismo exagerado de José Sócrates, a verdade é que está melhor.
Pelas contas do primeiro-ministro, há dez anos gastava-se o dobro do dinheiro com muitos mais professores para muito menos alunos. Esta poupança e a relação procura/oferta é, obviamente, um bom sinal. Mas não é único. Em relação aos últimos dois anos, este Setembro foi dos mais calmos em críticas de professores. As últimas ondas de protestos desfizeram-se. E sobre elas construiu-se um melhor ensino.
As aulas de substituição permitiram finalmente o devido acompanhamento dos estudantes nos 'furos'. O inglês é uma realidade nos terceiro e quarto anos de escolaridade. As escolas primárias funcionam até às 17.30. Os manuais escolares estão melhores e mais baratos.
Há ainda muito a fazer. Na rede de escolas. No sistema de colocação de professores. No combate ao insucesso e ao abandono escolar. Mas o caminho é este. Porque não há contestação que não passe. Já uma má educação é muito difícil de ultrapassar.

09 setembro, 2007

O hábito já vem de longe

O texto que se segue foi picado do "O Jumento", e foi escrito pelo jornalista José António Cerejo e publicado no Público, já não sei de quando, mas de há poucos dias. Porque é interessante e revelador de um certo tipo e forma de estar na vida e na política. Não se pretende obviamente nenhum julgamento de carácter de qualquer dos intervenientes. Cada um que retire as suas conclusões. (transcreveram-se as partes que se consideraram mais importantes do texto).

(...)
Numa carta publicada neste jornal em 1 de Março de 2001, Sócrates perorava sobre ética e deontologia dos jornalistas e anunciava o que aí vinha: "Parece que é tempo de começar a combater as éticas de plástico que outros agora sustentam [referindo-se a alguns jornalistas], por mais politicamente incorrecto que isso possa ser."
Meses depois, quando o PÚBLICO o confrontou com a escuta telefónica em que dava instrucções a um empresário seu amigo sobre o que devia fazer para interferir no resultado de um concurso público, Sócrates desejou tanto que os seus sonhos fossem realidade que não se coibiu de qualificar como crime aquilo que nunca o fora. A conversa tinha sido gravada anos antes, quando ele era deputado, e resumia-se a uma recomendação para que o empresário contactasse, e posteriormente recompensasse, um seu colaborador do aparelho socialista da Covilhã. A este, que era assessor do presidente da câmara local e a quem Sócrates telefonaria entretanto, caberia fazer o possível para resolver o problema do concurso. A imagem que sobressaía dessa conversa, gravada porque o empresário em causa estava a ser alvo de uma investigação judicial, era a de um deputado que se prestava a usar a sua influência para favorecer um amigo (por acaso financiador do PS) no quadro de um concurso público. E esta era, independentemente do seu interesse público e da legalidade indiscutível da divulgação da conversa, a última coisa que José Sócrates quereria que dele dissessem.
Naturalmente que o PÚBLICO não se deixou intimidar com a invocação de uma falsa proibição legal. Nem tão-pouco com a solene comunicação com que o ministro do Ambiente terminava a sua carta: "Informo-o que recorrerei a todos os meios judiciais ao meu alcance para defesa da minha honorabilidade e da reserva da minha vida privada."
Publicada a notícia em Janeiro de 2002, Sócrates escreveu ao director do PÚBLICO afirmando que o texto não passava de "especulações delirantes e insinuações falsas e injuriosas". E acabava declarando: "Porque o Sr. Cerejo [o jornalista] muito bem sabe que cometeu vários crimes com a publicação destes textos, prestará contas em tribunal."
Na verdade, os anos passaram-se e as ameaças, antes e depois da revelação da conversa, não deram origem a nenhum processo judicial da iniciativa de José Sócrates. O agora primeiro-ministro bem sabia que a história do "crime" era ainda, e tão-só, um sonho seu.
Quem se queixou em tribunal foi Carlos Martins, o assessor que ele recomendou ao empresário e que era então (e ainda o é) presidente de uma junta de freguesia da Covilhã. Alegou que o seu nome tinha sido manchado pelo jornal, mas, meses depois, desistiu do processo. Presentemente está colocado no gabinete do primeiro-ministro e é um dos seus três adjuntos para os assuntos regionais. (...)