O 1º:
28 março, 2007
Deputados PS de visita a Albergaria-a-Velha
O 1º:
27 março, 2007
Títulos e síntese da 1ª página do Público de 27 de Março de 2007
A procuradora-geral adjunta, Maria José Morgado, recusou ontem considerar a alegada falta de meios na investigação como uma das principais dificuldades no combate à corrupção. Morgado falava no decorrer de um colóquio sobre as ameaças da corrupção à democracia, na AR, em que participou, entre outros, o juiz Baltazar Garzón.
O Conselho Superior do Ministério Público pronunciou-se contra a nova lei da política criminal proposta pelo Governo. O número de crimes de investigação prioritária é uma das principais reservas dos magistrados.
O número e o calendário do encerramento nocturno dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) dos centros de saúde ainda não estão definidos, adiantou ontem o Ministério da Saúde, pois o fecho só se efectivará quando existirem alternativas. O total de SAP que atendem menos de dez doentes por noite - um dos critérios considerados na requalificação - ascende a mais de sete dezenas e, destes, 16 já fecharam.
A primeira página do Público de 27 de Março de 2007, numa feliz conjugação de títulos, atinge o alvo, em cheio, de forma certamente involuntária.O primeiro título respeita aos gestores públicos, engendrados por esta democracia de há uma dúzia de anos a esta parte. A notícia de que um gestor anódino da GALP, ao fim de um ano e de ter ganho com a saída, cerca de quinhentos mil euros de indemnização, ter passado para a REN, para ganhar balúrdios, acerta no coração dos pobres de espírito que não compreendem os critérios governamentais que presidiram a estas regras de generosidade sem paralelo, na decência de um país pobretanas e na cauda da Europa. Os portugueses em geral, não compreendem, não aceitam e acham escandaloso que tal aconteça. E tal acontece, devido a uma simples palavra mágica que todos entendem: corrupção. Não a do código Penal, mas a outra mais simples, a moral. O senso comum, no entanto, não a distingue da outra, aquela que vem escarrapachada no segundo título: “Assembleia discute corrupção-Ministério Público contra lei da política criminal”.Este título lembra-nos que foi na Assembleia que se derrotou a proposta de Cravinho, por ser disparate e até “asneira” e lembra-nos também dos inquéritos parlamentares a casos singulares que dão aquilo que as maiorias querem que dêem. Lembra-nos ainda a ética que existe na Comissão de Ética e outros fenómenos que os portugueses conhecem. Por causa de asneiras, repetidas e recalcitradas, o público que votou na figura do melhor português de sempre, escolheu Salazar!
O fantasma de Salazar
25 março, 2007
O que diz Marques Mendes
2007-03-18
Entrevista: Marques Mendes
Jornalista : Jorge Paula Marques Mendes
Líder do PSD, acusa o primeiro-ministro de ter um projecto de poder pessoal perigoso para a democracia. Irónico, diz que o País só está melhor do que o Burundi e afirma que o aeroporto da Ota pode ser o pântano de Sócrates.
Correio da Manhã – Gosta do estilo de José Sócrates?
Marques Mendes – Não vou comentar estilos. O que acho é que a atitude que o primeiro-ministro tem utilizado é errada. Essencialmente porque tem a preocupação de atirar portugueses contra portugueses. É uma atitude política errada. É um pretexto, a alegada existência de privilégios de todas estas classes, como se de repente se tivesse descoberto que o País é formado por privilegiados. E sobretudo tem um objectivo muito mau: explorar o sentimento da inveja nacional.
– Da inveja?
– Da inveja nacional. No momento em que ataca um sector está a colocar na prática portugueses contra portugueses. Um segundo aspecto negativo na sua atitude é a tentação que se nota de um controlo enorme do poder. Eu alertei em Dezembro para o facto de o primeiro-ministro parecer ter um projecto pessoal de controlo de poder, de acumulação de poder.
– O tempo deu-lhe razão?
– Três meses depois já perceberam que não era um ponto de vista partidário, mas sim a constatação de uma realidade.
– Está a referir-se ao recente anúncio de concentração de poderes policiais?
– É o último exemplo e dos mais perigosos, mas não é o único.
– Quais são os outros? A Comunicação Social?
– Há uma preocupação enorme de controlo na Comunicação Social, nos centros de decisão económica, na Justiça, na investigação criminal e mais recentemente nas polícias. Já não é uma questão partidária. Tem a ver com a qualidade da nossa democracia. Isto não é autoridade. É abuso de poder. É confundir maioria absoluta com poder absoluto.
– A Comunicação Social está a ser objecto de diversas medidas polémicas. O que é que vai fazer?
– Neste domínio da Comunicação Social há uma preocupação crescente de controlo, um controlo cada vez mais apertado. Nesta matéria todos os partidos têm pecados. Mas os Governos anteriores, de todos os partidos, em comparação com este, são uns meninos de coro.
– Também teve a tutela da Comunicação Social.
– Todos os Governos têm essa tentação. Estou a reconhecer isso. Agora, repito, em comparação com o que se está a passar, são todos meninos de coro.
– E Sócrates não é um menino de coro.
– Não. Acho que não é tanto um projecto partidário. É muito pessoal. É o poder em sectores nucleares na mão de uma pessoa só. E em democracia isto não pode acontecer. A democracia é o regime do equilíbrio de poderes.
– O que é que o PSD pode fazer para contrariar esse projecto pessoal?
– É o que temos feito. Denunciar a situação.
– Mas se a situação é tão grave não pensa alertar o Presidente da República?
– Cada coisa a seu tempo.
– Está a renascer o Estado policial? É perigoso para a democracia?
– É perigoso e afecta a qualidade da democracia. Eu alertei em Dezembro para esta situação e agora vastos sectores, que não têm nada a ver com o PSD, dão-me razão. Está em curso este projecto de poder pessoal. A denúncia que fizemos está a seguir o seu curso e acho que a força da opinião pública é o instrumento essencial para que o Governo recue em intenções que não são boas para a democracia.(…)
– Como é que explica, então, a posição irredutível do primeiro-ministro? Por ser teimoso? (OTA)
– Esta teimosia é grave. E só há uma explicação: como a situação do País é grave, os resultados são nulos e não tem nada para apresentar ao País, quer a toda a força mostrar obra.
– É um alibi?
– É uma tentativa de mostrar que afinal há qualquer coisa, há obra, para tentar desviar as atenções dos problemas reais quer na economia, quer na saúde, quer no desemprego. E para isso tenta criar um elefante branco, fazer um erro colossal.
– Que pode ser fatal para Sócrates?
– Olhe, Sócrates pode acabar no pântano do aeroporto da Ota se não tiver o bom senso de recuar. O Governo não pode querer resolver o seu problema à custa do dinheiro de todos os portugueses.
– É tão grave que levou o problema a Cavaco Silva?
– Ao fim de um ano foi a primeira vez que pedi uma audiência ao Presidente da República. Mas este caso é sério demais, porque podemos estar perante um erro colossal, porque a teimosia pode levar a um disparate que compromete os próximos Governos e Orçamentos. (…)
– Há causas para a corrupção. Quais são?
– Olhe, digo isto com algum exagero, mas reconheço que cada lei que se faz em Portugal é um convite à corrupção. Porque são complexas e burocráticas (…)
Empresas municipais - óptimas para "sacar"
Metade dos gestores com salários fora da Lei
Paula Sanchez e João d'Espiney
Metade dos administradores de empresas municipais receberam, durante 2003 e 2004, vencimentos e despesas de representação que excederam os limites impostos pela Lei. Esta é uma das principais ilegalidades apontadas numa auditoria do Tribunal de Contas (TC) aos vencimentos e remunerações acessórias dos gestores destas empresas e que vem corroborar as conclusões do relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) sobre o mesmo assunto, divulgado em Setembro. O TC concluiu ainda que em quase 30% das empresas municipais, onde os administradores acumularam essas funções com as de autarcas locais, os seus salários conjuntos ultrapassaram em 75% o vencimento máximo do Presidente da República, incluindo despesas de representação. A auditoria, realizada por amostragem a 31 das 107 empresas municipais que prestaram contas ao Estado, teve por base a resposta em questionário escrito dos próprios administradores. Embora representem apenas 28% do universo das empresas identificadas o valor do seu activo líquido global - mais de mil milhões de euros - representa 90% do activo líquido das 107 empresas.
Serviço público para que vos quero?!
Obligan a la televisión pública británica a cerrar un portal educativo porque compite con los centros privados
El pasado martes 20 de marzo la televisión pública británica BBC suspendió su portal educativo Jam (1). Ese proyecto fue aprobado en enero de 2003 por la Secretaria de Estado de Cultura, Medios y Deporte de este país y por la Comisión Europea en octubre de ese mismo año. Se puso en marcha en enero de 2006 y tenía previsto funcionar hasta el 30 de septiembre de 2008. Desde Jam se ofrecían serie de servicios de enseñanza online, para chicos de entre 5 y 16 años, en lo que se llamaba “curriculum digital”, un servicio de aprendizaje interactivo que reflejaba los planes de estudios de Inglaterra, Escocia, Gales e Irlanda del Norte. Jam estaba diseñado para enseñar a explorar, a aprender y crear y ofrecía una experiencia de aprendizaje de banda ancha interactiva, en el cual cada uno puede escoger qué, en dónde, cuándo y cómo quiere aprender. Según el experto en educación Sue Nott (2), BBC Jam “está centrado en quien aprende; el contenido que se entrega en línea es de inmersión, exploratorio, para aquellos sujetos que se basan en habilidades; el sistema alienta a crear algo propio. BBC Jam responde a la curiosidad natural de quien aprende sobre el mundo”.Todos los contenidos de BBC Jam estaban vinculados a juegos e historias, dibujos animados, experiencias de audio y otras actividades combinadas, para inspirar a quien aprende y ayudarlo a comprender cada tema.
La razón del cierre ha sido la queja de los centros educativos privados, quienes argumentaron que perjudicaba sus intereses de mercado. Estos centros llevaron su reclamación a la Comisión Europea alegando que el servicio público que impulsaba la BBC a través de internet de forma individualizada se había puesto en marcha sin tenerles en cuenta y perjudicaba sus intereses económicos. El órgano comunitario atendió la reclamación y la cadena pública británica ha decidido cerrar el portal “ reduciendo al mínimo su impacto negativo en el mercado”.
En un comunicado, la cadena asegura que ha tomado esta decisión después de largas conversaciones con el Gobierno de Londres y la Comisión Europea acerca de las quejas del sector privado. Explican que promover la educación es "uno de los pilares del servicio público de la cadena", pero que debe emprenderse después de considerar sus efectos en el mercado. Según afirman, con el dinero público, la BBC debe "informar, educar y entretener" a los ciudadanos, pero sin perjudicar al sector privado.
El asunto parece bastante claro y denota las prioridades y jerarquías en el sistema político dominante. Por delante de las posibilidades educativas que tenga un estado está el negocio de algunos. Atrás queda ese modelo social de un estado desvelado –y obligado- a atender las necesidades de una sociedad. Ahora, no sólo no tiene ese compromiso, sino que lo tiene prohibido si con ello va a afectar negativamente al negocio de las empresas privadas.
Con el mismo principio, a los estados europeos se les podría obligar a cerrar los hospitales públicos o de beneficiencia en la medida en que quitan mercado a los centros privados. Es más, hasta las instituciones religiosas y de caridad deberían tener prohibido los comedores sociales para indigentes porque pueden restar clientes a los restaurantes.
En realidad todo es coherente con la política de la Unión Europea, si ha sancionado a España por el delito de prestar libros sin cobrar en las bibliotecas públicas (3) por qué no iba a obligar al Reino Unido a cerrar una televisión pública que cometía el delito de educar.
(1) Ver http://www.elmundo.es/elmundo/2007/03/21/comunicacion/1174475853.html
http://www.uberbin.net/archivos/internet/bbc-jam-obligado-a-cerrar-por-competencia-injusta.php
(2) http://www.comminit.com/la/tendencias/tendencias2004/tendencias-227.html
(3) Ver: Europa impone a España un canon por el préstamo de libros en bibliotecas
www.pascualserrano.net
24 março, 2007
O estranho caso do "Dossier Sócrates" - III
O dayafter
Para pôr fim a acusações mesquinhas, o Primeiro-Ministro mudou a forma da sua apresentação pessoal, de "engenheiro civil" para "licenciado em engenharia civil". A nova fórmula é mais correcta, referindo a sua qualificação académica e não uma qualificação que em rigor refere uma profissão. No entanto, nas formas de tratamento social corrente entre nós é frequente usar a segunda como equivalente da primeira, pelo menos no caso da engenharia e da arquitectura, tratando por "engenheiro" e por "arquitecto" os licenciados nas correspondentes áreas, mesmo que não exerçam a profissão. De facto, quantos licenciados em engenharia ou arquitectura não exercem a profissão, ou, exercendo-a, não estão inscritos nas respectivas Ordens, não possuindo portanto o competente título profissional? Ora, embora em rigor só estes possam invocar a qualificação de engenheiro ou arquitecto, será que no tratamento social corrente reservamos só para eles a fórmula "Engº Fulano" ou "Arqº Beltrano"? Quantos "engenheiros" e "arquitectos" não conhecemos na vida política, na actividade jornalística, na vida económica e na gestão empresarial que não exercem (e por vezes nunca exerceram) a profissão, muito menos possuem o título profissional? Será preciso mencionar nomes?E quantos dos puristas neste episódio não usam no tratamento social corrente a fórmula "Dr." para qualquer licenciado, quando não o invocam para si mesmos? Haja senso!
23 março, 2007
O estranho caso do "Dossier Sócrates" - II
O estranho caso do "Dossier Sócrates"
22 março, 2007
Dossier Sócrates
São estas as suspeições que perturbam, que incomodam e que, a não serem devidamente esclarecidas ou, pior, muito pior, a confirmarem-se deveriam impor demissão silenciosa, imediata e cabisbaixa de qualquer político.
Catroga recebe 9693 euros de pensão
Antigo ministro das Finanças e professor catedrático convidado do ISEG, Eduardo Catroga vai aposentar-se no mês de Abril com uma pensão mensal de 9693,54 euros, de acordo com a listagem publicada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) para o próximo mês. Em conversa com o Correio da Manhã, o economista explicou que o valor é a soma das pensões a que tem direito pelos seus descontos como funcionário público e como trabalhador privado.
“Tenho uma carreira de vinte anos como funcionário público e de quarenta como funcionário privado”, explicou o ex-ministro, que prometeu e cumpriu a retoma económica portuguesa nos anos de 1990, adiantando que contribuiu tanto para o regime geral da Segurança Social como para a CGA.“Fiz em paralelo as duas carreiras e agora, por questões de simplicidade e por ser mais prático, as duas pensões são unificadas numa única prestação”, revelou o antigo ministro das Finanças. A pensão é paga pela CGA que “posteriormente é ressarcida da componente privada” pelo regime geral.Professor catedrático no ISEG e administrador de várias empresas, Catroga escusou-se porém a revelar se se vai retirar da vida activa no próximo mês.Apesar de ser o valor mais alto da lista dos aposentados e reformados cuja pensão é paga pela CGA a partir do mês de Abril, a reforma de Catroga não é a única a ultrapassar o limite dos 12 salários mínimos nacionais (4836 euros) impostos no sector privado. Na lista de Abril há mais oito pessoas com pensões acima daquele tecto, além de mais 14 pensões superiores a quatro mil euros e várias outras que ultrapassam os três mil e dois mil euros mensais que contrastam com outras prestações que pouco passam dos 200 euros/mês. As pensões mais altas são auferidas por professores catedráticos, médicos, juízes e controladores de tráfego aéreo. Já as reformas de menor valor são atribuídas a pessoal auxiliar.No ano passado, quando limitou as pensões do sector privado a 12 salários mínimos nacionais, o Ministério das Finanças prometeu fazer o mesmo em relação às reformas da Caixa geral de Aposentações já a partir deste ano. Mas as listas da CGA publicadas até aqui ainda não respeitam esse limite.
PERFIL
21 março, 2007
Belmiro ao ataque?
Amanhã
Omissões e confusões no dossier de licenciatura de Sócrates
Provavelmente a não perder! Porque será só agora tanto interesse no assunto que já mexe pelos blogues há mais de 2 anos???
19 março, 2007
NEE, inclusão e outra divagação
Não podemos separar o conceito de NEE da política de inclusão.
A política de inclusão deriva de uma vontade política central: reduzir a educação a um modelo monolítico de enquadramento ideológico, ao serviço do mercado. Não esqueçamos que a Conferência de Salamanca, foi apadrinhada pelo FMI e pelo Banco Mundial.
Desde o final dos anos 70, que se começaram a fazer estudos económicos sobre a relação de custos, entre a educação pública e a realizada em Estabelecimentos de Educação Especial (EEE), relativamente aos alunos com NEE. Um desses estudos, realçava que um aluno custava entre 1,5 a 5 vezes mais, no EEE do que na Escola Regular, consoante o país europeu.
Daí para cá, foram-se refinando os estudos, onde se concretiza o modelo de escola do séc. XXI para a Europa; com especial destaque para a Conferência de Lisboa (2000), que se espelha, por exemplo, no documento “Schooling for tomorrow, networks of innovation” (2004), onde se pode ler que a escola ideal deverá ser gerida como uma empresa, por um empresário, numa perspectiva de mercado, em que a competitividade e o marketing imporão as regras, com os docentes a serem encarados como empregados que respondem à procura do aluno-consumidor.
Neste quadro, a inclusão não é mais do que uma proposta de mercado único de educação, em que o aluno com NEE é visto como um consumidor como outro qualquer. O que difere é a especificidade do produto oferecido. O cálculo será basicamente económico-financeiro, embrulhado numa retórica terapêutica e social.
Ignoram-se os etudos e avaliações independentes realizados noutros países, nomeadamente no RU, onde se constata que a política de inclusão falhou (Warnock, 2005; U. Cambridge, 2006). O que interessa é fechar os EEE e colocar os alunos todos nas escolas regulares, para se conseguir reduzir o orçamento do ME. Sindicatos, ECAEs e professores, colaboram neste embuste, convencidos de que estão a prestar um serviço patriótico e humanitário. Enganam-se redondamente. Estão a servir os propósitos do estado e a abrir caminho a um agravamento do desastre educativo.
Nota: Luís Miranda Correia é um dos “consultores” deste governo, depois de ter sido um dos padrinhos das ECAEs, oferece os seus préstimos de “especialista”, ao ME, no sentido de este fundamentar as políticas de de destruição dos EEE. Como bom especialista que é, pensa que se resolve tudo com “especialistas”. Não percebe, por exemplo, que o direito de escolha de opção de modelo de ensino e de comunidade escolar, é um direito elementar em democracia e que há alunos que beneficiam de modelos alternativos ou mistos, que não se esgotam nas escolas regulares.
18 março, 2007
Um exemplo prós teóricos do eduquês da 5 de Outubro
Itália proíbe telemóveis nas aulas
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=786998&div_id=291
2007/03/17 23:39
Alunos podem ficar sem telefones ou ser impedidos de fazer exames
A Itália proibiu as crianças de usarem telemóveis nas aulas para impedir que hajam interrupções causadas pelos toques ou pelas brincadeiras dos alunos com as câmaras, noticia a Reuters.
A regra força as escolas a disciplinarem as crianças, que insistirem em usar os telemóveis, com punições que vão desde tirar os telefones ao impedimento de fazer exames.
A proibição segue-se a uma série de incidentes que chocaram os italianos. Em Novembro, um vídeo mostrava um aluno deficiente a ser atacado por colegas de turma. O vídeo foi feito por um telemóvel e depois divulgado na Internet. Noutro caso, alunos filmaram colegas que assediavam sexualmente uma professora.
O ministro da Educação da Itália, Giuseppe Fioroni, informou que sanções severas serão aplicadas «em casos de gravidade extremamente elevada» onde a violação das regras cause repercussões legais ou de segurança.
O jornal italiano Corriere della Sera escreve ainda que a Itália é o primeiro país europeu a impor uma proibição nacional de telemóveis nas escolas.
17 março, 2007
Anedota do dia
Balanço de Sócrates
"Nunca um Governo deixou tantas marcas de esquerda"
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/8842614.htm
Olha do que nos livrámos! Se o homem fosse de direita....
Mais uma professora agredida. Até mais quando??
16 março, 2007
Questões pertinentes
Bate, que é professor!
Quando um tema chega aos humoristas é, geralmente, porque não tem piada nenhuma. É o caso da violência de que têm sido vítimas alguns professores portugueses, que foi glosada por Ricardo Araújo Pereira numa crónica na Visão com o título "Escolas S+M" (Escolas Sade e Masoch). E os "gatos fedorentos" já propuseram sarcasticamente que se contratassem ciganos para professores.
O mesmo tema foi tratado mais a sério pelo escritor Manuel António Pina na sua coluna do Jornal de Noticias, cujo título também chamava a atenção: "Já espancou um professor hoje?" 0 meu título de cima, escolhido com a mesma intenção, significa que estou tão indignado como ele. Tal como o psiquiatra Daniel Sampaio, autor na última Pública da crónica "Afinal quem manda lá em casa", está indignado com a violência juvenil dentro de casa.
Afinal quem manda na escola? Os professores portugueses cada vez menos. Eles têm sido bastante maltratados. Não é apenas a violência física, por parte de alunos ou dos seus pais, mas também a violência, mais subtil, que consiste na progressiva retirada do poder que detinham. As duas poderão até estar relacionadas.
Em primeiro lugar, o poder tem sido retirado aos professores pelas pseudopedagogias não directivas que têm presidido à educação nacional. Na linguagem rebuscada que entre nós ficou conhecida por "eduquês", essas correntes falam de "ensino centrado no aluno". Essa ideia não é nossa e está longe de ser inovadora, pois a "escola nova" é bastante velha: já o pedagogo suíço Édouard Claparède escrevia nos anos 30 do século passado que "a concepção funcional da educação e do ensino consiste em tomara criança como o centro dos programas e dos métodos escolares". E não tem dado bons resultados, porque é uma ideia absurda. Faz parte da essência da escola – a instituição que a sociedade inventou há séculos para preparar as crianças e os jovens para a vida – que os professores ensinem e que os alunos aprendam. O professor sempre foi o centro da escola no sentido em que ele é que ensinava – um verbo agora proibido –, ao passo que os alunos aprendiam – um verbo agora pouco praticado. 0 aparecimento da "escola para todos" em finais do século XIX (que em Portugal demorou muito a chegar e que, infelizmente, ainda demora, com a tragédia do abandono escolar) colocou o professor ainda mais no centro da escola. A expressão "ensino centrado no aluno" ficou completamente excêntrica, até porque a sala de aula não pode ter numerosos centros.
Mas há uma outra forma de retirar poder aos professores, que, ao contrário da pedagogia que fala "eduques", é urna invenção nacional recente. Trata-se da ideia perigosa de que os pais dos alunos devem avaliar os professores. Quando ela foi desmentida, já se tinha espalhado... Aqui o conceito é mesmo novo, pois não tem antecedentes na história da educação, nem há nada parecido noutros sistemas de ensino. O ensino, em vez de ser centrado no aluno, passaria a ser centrado nos pais do aluno. Claro que a ideia não iria dar bons resultados, porque também é absurda. A escola é a instituição na qual a sociedade e as famílias decidiram delegar parte da sua autoridade na educação das crianças e dos jovens. É bom que a escolham. Mas têm de confiar na escola, o que significa em primeira linha confiar nos professores. Os pais não têm a capacidade nem a independência para julgar os professores. A ameaça da avaliação dos professores pelos pais não passa de uma forma de populismo que, apesar de instrumentalmente útil na luta do poder político contra os sindicatos, pode ter graves consequências a prazo. Com as agressões de país a professores, essas consequências podem estar à vista...
Curiosamente, os sindicatos dos professores têm estado irmanados com o sistema educativo vigente há décadas, ao falarem "eduques" e ao defenderem a centralidade do aluno. Já que os sindicatos o não fazem, não haverá ninguém que defenda os professores?
Mais uma pró-ramalhete...
Chefes vão decidir salário de funcionário
Manuel Esteves
Os dirigentes da administração pública vão poder determinar, dentro de certas bandas pré-fixadas na nova estrutura de carreiras, o salário dos trabalhadores que forem seleccionados no âmbito dos concursos públicos. Esta é uma das inovações que o Governo introduziu, na semana passa-da, no documento de princípios orientadores da reforma do sistema de vínculos, carreiras e remunerações da administração pública e que ontem desencadeou novos choques entre a equipa governamental das Finanças e os sindicatos. Segundo a proposta do Governo, os candidatos seleccionados, por concurso, para ocupação de um determinado posto de trabalho inserido no regime de contrato (em que vão incluir-se não só os actuais contratados mas também os funcionários em regime de nomeação que não exerçam funções de soberania ou de autoridade) terão de negociar com o seu chefe a sua remuneração. Actualmente, sempre que um trabalhador se candidata a um determinado posto de trabalho sabe à partida a remuneração que auferirá, conhecendo igualmente as perspectivas de progressão na carreira por via dos mecanismos de antiguidade. O secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, esclareceu ontem que esta escolha do dirigente será feita "dentro de determinadas regras e limi- tes", decorrentes do "número e conteúdo das posições remuneratórias da carreira ou da categoria", tal como estabelece o documento de princípios, actualmente em negociação. E o que acontece se o chefe oferecer um salário inferior ao que o trabalhador está disposto a aceitar? Nesse caso, o dirigente chama o segundo classificado, reiniciando a negociação. Mas atenção, o dirigente não pode propor a este segundo candidato "uma posição remuneratória superior à máxima oferecida ao candidato que o antecedeu", esclarece o documento. Aquilo a que o secretário de Estado chama de "acordo de vontades" que permite "aumentar a flexibilidade de gestão dos dirigentes" é, para Nobre dos Santos, da FESAP, um "leilão", algo "inqualificável no primeiro empregador do País". Ana Avoila, da Frente Comum, alerta para a "falta de transparência" nos processos de recrutamento. Para João Figueiredo, é preciso flexibilizar estes processos, que, segundo o relatório de Luís Fábrica, levam entre 10 e 12 meses a terminar.
15 março, 2007
Coisas da ciência

UM DOS MAIORES MISTÉRIOS da alma humana é a razão por que algumas pessoas têm uma capacidade quase ilimitada para acreditar em coisas bizarras. O facto é ainda mais grave quando se regista entre professores, pois estes têm como dever transmitir aos seus alunos atitudes racionais e descomprometidas e devem, sempre que possível, educá-los para questionar as razões das coisas. Mas talvez ainda mais grave seja a crendice entre formadores de docentes, pois essa pode multiplicar-se ainda mais. É possível que o leitor se lembre de uma acção de formação de professores discutida há dois anos neste jornal. Nela se ensinava o uso da «energia das cores» e do «conhecimento dos signos dos alunos» para «melhor gerir a sala de aula».
Infelizmente, a crendice não desapareceu. Numa acção recente, de resto interessante, um dos palestrantes falou dos místicos que conseguem fazer as moléculas de água sorrir. Mostrou, imperturbável, a fotografia de uma gota de água, dizendo tratar-se de uma molécula normal. Em seguida mostrou uma fotografia de um belo cristal de gelo, que seria a molécula depois de lhe falarem. Concluiu que é importante falar aos alunos, pois sendo o corpo humano 70% de água, também eles, alunos, sorririam. Espantoso! Além da crendice, a ignorância: uma gota de água tem um número imenso de moléculas, cerca de 2 seguido de 21 zeros, mais do que o número de pelos e cabelos de todos os humanos do planeta, contados desde que existem homens sobre a Terra. E é claro que as moléculas de água não sorriem nem se transformam com a nossa meditação. Nós, que pensamos, é que devemos reagir perante estes exemplos.
Adaptado do «Expresso»
Afixado por: Nuno Crato
14 março, 2007
Por dinheiro estes jeitosos vendiam a família toda....
Do Portugal Diário:
2007/03/14 16:05
É «preferível vender do que deixar ao abandono», diz Maria de Lurdes Rodrigues
A ministra da Educação admitiu esta quarta-feira no Parlamento vender ou arrendar cerca de 20 escolas secundárias de Lisboa e Porto actualmente desactivadas, caso não possam ser reconvertidas, por exemplo em escolas do primeiro ciclo.
«A situação de cada escola desactivada tem de ser vista no quadro de gestão da rede, mas se não houver utilidade a dar ao edifício que já foi escola e já não é, qual é o problema [de vender]?», questionou Maria de Lurdes Rodrigues em declarações aos jornalistas, à saída da Comissão Parlamentar de Educação, onde hoje foi ouvida.
Segundo a ministra, a hipótese de vender património coloca-se apenas no caso de secundárias já encerradas, o que acontece com «10 ou 12 escolas na região de Lisboa», como a David Mourão Ferreira, Dona Maria I ou Veiga Beirão, por exemplo, e «sete ou oito na zona do Porto».
Perante os deputados, a responsável deu o exemplo da secundária lisboeta Veiga Beirão, no Largo do Carmo, encerrada há quase dez anos, que a tutela pondera transformar em escola do primeiro ciclo - o único nível de ensino em que há falta de estabelecimentos em Lisboa - ou vender, caso isso não seja possível.
Para inverter a tendência de diminuição do número de alunos no ensino secundário, que poderia levar ao encerramento de várias outras escolas, o Executivo aposta na diversificação da oferta através de vias profissionalizantes e na atracção de estudantes da periferia para os estabelecimentos de ensino localizados no centro de Lisboa e Porto.
O ME quer ainda valorizar o uso das secundárias, criando «áreas de negócio como lojas de conveniência para estudantes e aluguer de pavilhões para baptizados», exemplos destacados hoje pela ministra que permitam aumentar as verbas para a manutenção dos edifícios.
O "recado" enviado pelo pessoal do "avental"
Algumas reformas negam «matriz humanista» do PS
2007/03/12 20:14
Socialista António Arnaut fez balanço crítico de dois anos de Executivo do PS
O socialista António Arnaut, antigo ministro dos Assuntos Sociais, fez hoje um balanço crítico dos dois anos de Governo do PS, considerando que «nem sempre as reformas são inspiradas na matriz humanista» do partido.
«Um governo do PS tem a obrigação indeclinável de fazer as reformas possíveis que encurtem as desigualdades sociais e reduzam as injustiças», declarou à agência Lusa o criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), um dos fundadores do partido.
Para o advogado de Coimbra, «nem sempre isso tem acontecido, designadamente no sector da Saúde», desde que o executivo de José Sócrates tomou posse, em 20 de Março de 2005.
«O primeiro-ministro não pode esquecer que o governo da senhora Tatcher (no Reino Unido) começou a cair quando ela tentou destruir o SNS», advertiu.
António Arnaut admitiu que a equipa governativa liderada por José Sócrates «está a fazer algumas reformas sucessivamente adiadas», nomeadamente «na função pública e ao nível do saneamento financeiro».
O antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano defendeu, no entanto, que «o descontentamento das pessoas não pode ser tão profundo que se transforme em frustração».
«De todo o modo, confio que o primeiro-ministro saberá preservar e aprofundar as conquistas sociais do 25 de Abril», concluiu.
13 março, 2007
Um texto digno de ler de Santana Castilho
O genocídio dos funcionários públicos
O que o Governo acaba de propor para o funcionalismo público é a continuação de um genocídio em que os professores foram os primeiros imolados. Muitos dos que aplaudiram a cruzada, sendo funcionários públicos, perceberão, quando lhes tocarem ã porta, que os dividendos do egoísmo são efémeros. O que se fez aos professores vai agora ser aplicado aos restantes funcionários públicos. Concluído este segundo assalto, o sector privado ficará à mercê da lógica dos patrões: se a precariedade já é máxima no público, por que havemos de manter o que sobra de estabilidade no privado? Pela mão de Sócrates, o Único, a esquerda moderna terá então feito, numa legislatura, mais do que a direita desejou, mas não fez, durante toda a Terceira República.
Os comportamentos mudam-se com incentivos, com formação, com comunicação organizacional, com chefias competentes, com gestão adequada. O grande problema dos serviços públicos não radica nos que obedecem. Está nos que mandam. Os que mandam querem convencer os indígenas de que a chave do sucesso é a avaliação do desempenho. Mas não sabem do que falam. 0 que produzem é tecnicamente grosseiro e com objectivos únicos: diminuir as remunerações, aumentar as horas de trabalho, despedir, vergar. Não será por aí que aumentarão a qualidade e a produtividade.
A avaliação do desempenho só serve se for um instrumento de gestão do desempenho. Os reformadores ignorantes confundem avaliação do desempenho com classificação do desempenho. Avaliar é comparar um percurso percorrido com um percurso planeado, para identificar obstáculos e formas de os superar. Supõe objectivos claramente definidos e estratégias adequadas. À boa gestão importa, sobretudo, o carácter formativo da avaliação: para identificar as dificuldades das pessoas e ajudá-las a superá-las, com formação e assistência; para apurar a ineficácia e a ineficiência dos processos e substituí-los por outros mais adequados. Um processo credível de avaliação tem uma lógica de 360 graus. Envolve todos. Não deixa de fora os chefes, obviamente.
Classificar é seriar. Tão-só! Tendo aplicações e importância, não põe conhecimento onde ele não existe. Pode haver avaliação sem classificação. Mas não se deve classificar sem avaliar. A obsessão dos nossos reformadores reside na classificação. Construíram uma fantasia com a qual julgai) chegar ao fim sem abordai o inicial e 11 intermédio. 0 que têm produzido são grelhas de classificação mal feitas, a aplicar por processos e critérios que a gestão moderna há muito abandonou. Isto não provocará mudança organizacional. Isto vai gerar, por parte dos funcionários visados, o que a literatura da especialidade denomina por retaliação organizacional. Ou seja, oposição dissimulada e desmotivação generalizada, a última coisa de que necessitamos para melhorar os serviços. Quando tal acontece, é evidente que a culpa não reside nos funcionários, mas nos chefes e nos processos e sistemas que impõem. Sobre o essencial para reformar a função pública, continuará a pairar o silêncio do Olimpo. Quanto a avaliação do desempenho, pura e simplesmente não existe. Apenas bolsa da pesporrência retórica e oca dos novos justiceiros.
O que se conhece da grelha proposta para classificar professores que concorrerão ao topo da carreira é paradigma do que acabo de afirmar. Está lá tudo: o atropelo grosseiro à lei; a evidência de que legislam por impulso, sem coerência nem norte (começaram por achar que 120 pontos eram o mínimo e já baixaram para 95); o primado do administrativo sobre o pedagógico (menosprezo escandaloso da docência e do conhecimento, que chega ao ridículo de valorar ou não um doutoramento em função do dia em que foi feito). É a burocracia posta num altar, que nenhum Simplex disfarça.
Professor do ensino superior
Santana Castilho
12 março, 2007
Função Pública: Governo quer reduzir 4.950 milhões. Poupança ameaça 150 mil até 2010
O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), já aprovado pela Comissão Europeia, é categórico: entre 2007 e 2010 o Governo prevê reduzir as despesas com pessoal em 4950 milhões de euros.
Conseguir este objectivo pode ser feito de duas formas:
Primeira hipótese - despedindo/dispensando um elevado número de funcionários - grande impacto político e social; óptima fotografia da determinação do governo em reduzir a dimensão do funcionalismo em números absolutos. Má propaganda em termos de votos.
Segunda hipótese - despedindo/dispensando um número mais reduzido de funcionários mas que gozam de vencimentos elevados (professores, médicos, enfermeiros, quadros técnicos....) - grande impacto político e social; óptima fotografia da determinação do governo em reduzir a despesa do funcionalismo em termos financeiros, com preocupação de não ter graves implicações sociais. Boa propaganda em termos de votos (protege os menos favorecidos - leia-se mão de obra mais barata - atacando os privilegiados da função pública).
O essencial do artigo fica aqui, já de seguida:
Exclusivo CM
2007-03-12
Aposentação e congelamento de novas contratações, por via da mobilidade especial, serão os meios para aliviar o Estado de trabalhadoresA reforma da Administração Pública poderá implicar, nos próximos quatro anos, uma redução da ordem de 150 mil postos de trabalho nos serviços do Estado. Em causa estará, segundo o estudo do Ministério das Finanças sobre a ‘Caracterização dos Recursos Humanos da Administração Pública’, um número de 177 067 funcionários públicos com idade superior a 50 e um conjunto de 165 488 trabalhadores com habilitações literárias até ao 9.º ano de escolaridade, justamente o universo de abrangidos com maior probabilidade de optar pela aposentação ou de integrar o sistema da mobilidade excepcional.
O Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), já aprovado pela Comissão Europeia, é categórico: entre 2007 e 2010 o Governo prevê reduzir as despesas com pessoal em 4950 milhões de euros. O Executivo estabeleceu como meta diminuir o número de funcionários públicos em 75 mil até 2009, mas, para alcançar uma poupança de 4950 milhões de euros em gastos com pessoal até 2010, poderá ser inevitável uma diminuição maior no actual número de 737 774 trabalhadores do Estado. Desde logo, porque, tendo em conta os 21 010 milhões de euros orçamentados para despesas com pessoal em 2007, verifica-se que 4950 milhões de euros correspondem à verba gasta com cerca de 174 mil funcionários do Estado, quase um quarto do total de funcionários públicos. João Ferreira do Amaral, professor de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), não tem dúvidas: “Uma redução de 150 mil funcionários tem lógica com os cerca de cinco mil milhões de euros de poupança prevista em despesas com pessoal [nos próximos quatro anos]”.Para este professor do ISEG, “pode haver alguns despedimentos, porque a Função Pública está tão envelhecida que a passagem à aposentação será insuficiente”, mas “o essencial dessa redução será feito através da aposentação e da não contratação de novos funcionários por via do sistema de mobilidade [entre serviços]”. João Ferreira do Amaral considera mesmo que “estas metas [inscritas no PEC] não são irrealistas, o que não quer dizer que seja fácil”.
11 março, 2007
Do "Jumento" veio este texto:
«1.A tão discutida frase do ministro Manuel Pinho na China, a propósito da vantagem competitiva da economia portuguesa que lhe adviria dos baixos salários que por cá se praticam, só pecou por ser dita no local errado: de baixos salários e «dumping» social se compõe a vertiginosa produtividade da economia chinesa e o seu originalíssimo modelo de ‘socialismo’, em que já só o PCP parece acreditar. À parte esse erro geoestratégico, o que Manuel Pinho disse reflecte exactamente o que continua a ser o pensamento dominante em largas camadas do nosso patronato e até dos nossos economistas. Por mais ‘modernização’ invocada, por mais ‘choques tecnológicos’ apregoados, por mais verbas públicas gastas em ‘qualificação’ e formação profissional, há coisas que nunca mudam, como essa fé de tantos empresários de que quanto pior pagarem aos seus trabalhadores, mais próspera será a firma. Uma excelente reportagem da autoria de Raquel Moleiro, saída a semana passada na revista do Expresso veio lembrar exemplarmente esta triste realidade: esse Portugal empresarial ‘profundo’, assente nos baixos salários, na desumanização do trabalho e nos métodos de gestão mais primitivos continua aí, sólido e imutável, mesmo onde se esperaria que fosse sucedendo o contrário.
A reportagem descreve-nos a situação de duas trabalhadoras, em firmas diferentes. A primeira trabalha numa multinacional - a Xerox - é licenciada em gestão de «marketing» e vendedora de produto. Logicamente, ganha mais do que a outra, que é controladora de rolhas de cortiça na Corticeira Amorim. A primeira ganha quatro vezes mais do que a segunda, embora esteja no início da sua vida profissional, e tem ainda direito a carro, telemóvel, computador, comissões e prémios, tudo pago pela empresa. A segunda, depois de mais de vinte anos a trabalhar para a empresa, tem um salário de 527 euros, mais subsídio de refeição, e ponto final. Até aí, não fosse o salário da segunda tão miserável, ainda se poderia tentar compreender: diferentes qualificações, diferentes salários e regalias. O que já não dá para justificar são as diferenças abissais na política social de ambas as empresas, e isso é igual para todos os trabalhadores. Na Xerox, ao quarto mês de licença de parto, a empresa junta um quinto mês, por sua iniciativa e extensível aos pais; dá 27 dias úteis de férias por ano, mais duas pontes e o dia de aniversário do trabalhador; tem creche, ginásio com professor, piscina, campo de futsal e farmácia dentro das suas instalações, para que as mães, por exemplo, não tenham de perder tempo para ir comprar produtos para os bebés; uma vez durante a manhã e outra durante a tarde procede-se a uma distribuição de fruta fresca pelos locais de trabalho e, se alguém pensar em prolongar o trabalho até tarde, as luzes são desligadas automaticamente às 20 horas, porque a empresa acredita que quanto melhor for a vida familiar de um trabalhador, melhor é o seu desempenho profissional. Já a trabalhadora da Corticeira Amorim não tem direito a nada disto. Trabalha em pé oito horas por dia, com uma hora de intervalo para almoço, com a função de escolher, entre 100.000 rolhas que lhe passam à frente todos os dias, quais as que têm defeito. É um trabalho digno das sequências célebres dos ‘Tempos Modernos’ de Charlie Chaplin e uma fonte constante de doenças profissionais de toda a ordem. Mesmo assim, foi preciso uma greve para que as escolhedoras de rolhas da Corticeira Amorim conquistassem o direito a ter um intervalo de quinze minutos de manhã e outro à tarde. Neste quadro, não admira que a trabalhadora da Xerox, que acaba de ser mãe, planeie ter dois ou três filhos, enquanto que a da Corticeira Amorim sonha sem esperanças poder ter um segundo filho, se o marido entretanto não emigrar em busca de uma vida menos indigna do que esta.
Resta acrescentar que a Corticeira Amorim não é uma empresa qualquer no panorama nacional. Domina largamente o negócio da transformação da cortiça, estabelecendo de facto os preços à produção. Pertence a um grupo que está presente em vários sectores da vida económica do país e além-fronteiras e no passado recebeu abundantes verbas do Fundo Social Europeu justamente para qualificar trabalhadores. É propriedade de Américo Amorim, tido como o segundo homem mais rico de Portugal, feito comendador de Mérito Industrial por um ou mais do que um Presidente da República. Volta e meia a imprensa transpira notícias sobre os milhões que ele ou o grupo ganharam em negócios bolsistas sem qualquer riqueza acrescentada - apenas porque o dinheiro faz dinheiro, como explicou Marx. Ou então, publicam-se outras notícias, nem sempre abonatórias, sobre a prosperidade dos seus negócios em Angola, em parceria com a inevitável filha do Presidente José Eduardo dos Santos e seguramente não em benefício da legião de miseráveis que morre de fome ou de doença em Angola, no meio da ostentação de outros.
Não sei se o comendador Américo Amorim terá lido esta reportagem e, em caso afirmativo, como terá sido a sua reacção: terá encolhido os ombros com indiferença, terá ficado incomodado, terá ficado a meditar no assunto, terá concluído que os da Xerox não sabem gerir uma empresa? O que pensará um empresário quando fica a saber que alguns dos que trabalham para si só o fazem porque não têm alternativa de subsistência?
07 março, 2007
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Opinião
2007-03-04 - 09:00:00
Sala de Estar
Participar nas aulas
A avaliação, agora “estratégica”, orientada e crítica, assenta num “processo envolvente”. Os pais avaliam. Os fedelhos avaliam.
Durante a semana houve diversas notícias sobre agressões físicas a professores. Embora os casos referidos possam sugerir o contrário, o espancamento do docente não é “hóbi” exclusivo de escolas “básicas”, nem de portuenses, nem de familiares de alunos. Um destes dias, deixará até de ser notícia. No anterior ano lectivo, registaram-se, principalmente nos centros urbanos, 330 denúncias do género. Desde Setembro, 50, a maioria após violência exercida pelas próprias criancinhas.Não se trata, portanto, de uma fase, mas de um sintoma do que está para chegar e uma consequência do que já chegou. Basta observar, com ocasionais reservas, o que sucede dos EUA à França, da Espanha à Austrália, ou seja, em todos os lugares onde a pedagogia “moderna” assentou praça e a escola desistiu de transmitir “meros” conhecimentos para desatar a atender aos “contextos específicos” de cada bairro, estabelecimento e aluno.Em tradução livre, isto significa desobrigar os meninos e as meninas da maçadora aprendizagem de aritmética, línguas, etc., e submeter os professores à fascinante “expressividade” dos petizes. É a escola “centrada nas crianças”. E não em quaisquer crianças: preferencialmente nos casos perdidos, cujas “necessidades e anseios”, mesmo que se resumam a atacar tudo o que se mova, passaram a constituir padrão de referência. Ao invés da instrução “impositiva” de outrora, malvada e anacrónica, a escola actual quis-se, e fez-se, “inclusiva”. Os textos canónicos do sector referem, explicitamente, a “discriminação positiva dos alunos mais carenciados aos vários níveis”. O objectivo? A igualdade de oportunidades, uma glória a caminho da realização: ao reger-se pelo mínimo denominador comum, o regabofe ameaça condenar todos os alunos a oportunidade nenhuma. Excepto, escusado dizer, os filhos de quem pode pagar um colégio decente. Ler os despachos do Ministério da Educação e os “projectos curriculares” das nossas escolas públicas é, consoante a perspectiva, uma experiência cómica ou assustadora. Além de escritos num português atroz, o que diverte, essa verborreica produção reflecte e explica o estado das coisas: um auspicioso caldo que junta o relativismo ao mito da “auto-estima” infantil e à mais repugnante retórica “social”. Na prática, estas maravilhas abateram a autoridade docente e o que restava de exigência. A avaliação, agora “estratégica, orientada e crítica”, assenta num “processo envolvente”. Os pais avaliam. Os fedelhos avaliam e, sem risco de sanções, exteriorizam a “criatividade”. E os professores limitam-se a velar para que a abençoada “criatividade” dos fedelhos se mantenha intacta. Quando não conseguem, sofrem os efeitos no moral e no corpo. E queixam-se. Mas queixam-se de quê? Que se saiba, são eles, pelo menos os que acederam a postos de decisão, os responsáveis pelo caos. E que pedem, em nome da “participação” de todos os “agentes” do “acto educativo”, a ida dos pais à escola. Como é notório, os pais vão. Ainda que, boa parte das vezes, as encantadoras crianças dêem conta do recado.
Alberto Gonçalves, Sociólogo