25 junho, 2007

Assim vai a educação

Num dos seus habituais escritos no DN, João César das Neves brinda-nos com esta tirada a propósito da educação, e por arrastamento do dito Ministério, da dita cuja Ministra, dos impagáveis secretários de estado (que me escuso a nomear). Infelizmente JCN é certeiro na análise que faz. No entanto duas observações devem ser feitas: primeiro, não é de agora que o desmantelamento de todo um sistema de ensino, não são de agora as aberrantes experiências pedagógicas, a desresponsabilização vivida e sentida, etc... Já vem de longe; segundo, as ideias subjacentes defendidas por JCN (neoliberal de sete costados) visam únicamente e tão só a transformação da educação em mais uma área de negócio, exclusivista e segregadora.
No entanto porque o diagnóstico é correcto (a terapia é que deixa a desejar) plasma-se aqui:


"O ensino constitui um mundo isolado, com regras próprias, onde se pode funcionar longamente sem contacto ou relação com a realidade concreta. Qualquer parvoíce pode surgir como "método pedagógico" e, se abstrusa, até ganha excelência, pois as teorias educacionais já justificaram tudo e o seu contrário.
O Ministério da Educação português é um bom exemplo de como um sistema autodeterminado pode disparar em sentidos impenetráveis e incoerentes. A sucessão de repetidas reformas, mesmo que justificadas individualmente, criou um conjunto inconsistente e delirante, que hoje até gasta fortunas em testes a fingir, que avaliam aos bochechos.
A coisa só não é pior devido à única inelutável realidade que se impõe na sala de aula: a cara do aluno. Muitos profissionais competentes, sentindo-se responsáveis perante a turma que enfrentam, esforçam-se por ensinar alguma coisa às pobres cobaias das reformas, muitas vezes contra as mesmas reformas. Se não fosse isso, a catástrofe seria definitiva. Mas o Ministério da Educação tem de ser incluído entre os maiores inimigos do desenvolvimento nacional. Uma potência estrangeira que quisesse sabotar o nosso progresso dificilmente faria pior."
João César das Neves, in DN

1 comentário:

Anónimo disse...

Em cinquenta anos de vida e quase cinquenta de escola, não exagero se disser que já passei por cinquenta reformas. Estou cansado. Para quando a reforma para alhear-me de reformas?